Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 23 de outubro de 2017, aworldtowinns.co.uk

Quando os neonazis entram no parlamento alemão e o governo vira à direita:

“Acabar com todas as ilusões sobre este sistema e as suas eleições!
Precisamos de um movimento pela revolução!”

As eleições nacionais de 24 de setembro na Alemanha marcaram um momento dramático na viragem à direita que está a acontecer por toda a Europa: 92 neonazis irão agora andar a passo de ganso nos corredores do Bundestag, o parlamento da Alemanha. Na sequência da ascensão do regime fascista de Trump nos EUA, a Alemanha de Angela Merkel tinha sido apontada como alternativa e anunciada em voz alta como uma das muralhas que restavam na defesa dos valores da “democracia” e do “Iluminismo”. Em vez disso, o país foi varrido pela tormenta política que está a submergir a Europa, e Merkel anunciou de imediato uma dramática viragem à direita para atrair o movimento fascista que é encabeçado pela Alternativ fur Deutschland [AfD, Alternativa para a Alemanha]. Os principais comentadores, que se tinham vindo a auto-iludir de que o recrudescimento do fascismo tinha sido parado pela vitória de Emmanuel Macron nas recentes eleições presidenciais em França, ficaram chocados. A AfD é agora o terceiro maior partido na Alemanha, conquistando uma grande porção dos ex-apoiantes dos social-democratas do SPD. Muitos deles pensavam que não era possível a erupção dessas forças extremistas de direita no palco central da Alemanha – que as lições do pesadelo nazi estavam indelevelmente gravadas na memória política do país. À medida que os arranjos e as normas social-democratas tradicionais que têm predominado desde a II Guerra Mundial são postos em desordem, este resultado chocante sublinha a necessidade de uma perspetiva comunista revolucionária que ofereça às pessoas na Alemanha uma saída dos horrores que se avizinham.

Reproduzimos a seguir um folheto emitido antes das eleições na Alemanha por Apoiantes do Grupo do Manifesto Comunista Revolucionário (Europa). O texto foi ligeiramente editado.

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A 24 de setembro realizar-se-ão de novo eleições parlamentares. Estas eleições são de uma importância particular para a burguesia num momento em que o consenso político em que se baseia a ordem dominante está a corroer-se e a sua estabilidade política ameaça desmoronar-se – com a possibilidade de a situação se vir a agudizar rapidamente.

Estamos a viver tempos de grande agitação, desassossego e surgimento de linhas divisórias. Os imperialistas alemães estão confrontados com grandes desafios e riscos – com uma União Europeia em risco de se desintegrar; uma crise migratória para a qual os governantes não têm nenhuma solução; o regime fascista de Trump e Pence a incrementar rapidamente a sua agressiva reafirmação da dominação mundial norte-americana e a ameaçar usar armas nucleares; a escalada do conflito entre o imperialismo e o fundamentalismo islâmico reacionário; e por aí fora. A ascensão de Trump aguçou o apetite da AfD e companhia a o imitarem e, ao mesmo tempo, a se posicionarem para uma acrescida rivalidade com o imperialismo norte-americano. Na viragem à direita que já é visível em vários países, os espectros de um passado negro estão novamente a emergir, incluindo entre alguns setores dos políticos burgueses estabelecidos.

Independentemente do resultado das eleições, já é claro neste momento que qualquer governo federal irá continuar a trabalhar para consolidar e fortalecer a posição dominante da Alemanha no mundo e defender os interesses globais do capital alemão. Independentemente do resultado das eleições, cada vez mais setores da população serão afetados pelo empobrecimento e pela exclusão social... continuará o estabelecimento de uma “Europa fortaleza”, será apressada uma brutal política de deportação e as leis de asilo continuarão a ser endurecidas... em nome da “segurança interna” será acelerado o estabelecimento de um estado policial e de vigilância... a Alemanha tentará cada vez mais, incluindo através de meios militares, impor os seus interesses e ambições... as alterações climáticas irão assumir dimensões cada vez mais dramáticas e, e, e... Estas eleições têm a ver com a formação de um novo regime que altere conscientemente a política dominante ainda mais para a direita, visando tornar realidade os sonhos profundamente reacionários do imperialismo alemão. Devemos recusar-nos a consentir tudo isto!

Pode haver algumas diferenças entre os partidos burgueses – por vezes mesmo diferenças importantes. Mas essas diferenças nunca envolvem a questão de saber se este sistema irá ser administrado e preservado ou se serão impostos os interesses do capital alemão e a “Alemanha como lugar de negócio”. Não, quanto ao fundamental, estas diferenças apenas envolvem a questão de como isso pode ser feito melhor. As mais recentes revelações sobre o “escândalo das emissões” [dos motores a gasóleo da Volkswagen] deixam mais claro que nunca o quão inteiramente o sistema político burguês serve os interesses do grande capital.

Acabar com todas as ilusões sobre este sistema e as suas eleições!
Precisamos de um movimento pela revolução!

Vivemos sob a ditadura de uma pequena minoria que detém os grandes grupos industriais, os bancos e as companhias de seguros. Vivemos sob um sistema historicamente obsoleto que há muito perdeu qualquer tipo de legitimidade. A Alemanha faz parte de um punhado de países imperialistas que saqueiam e dominam a grande maioria das nações do mundo. O objetivo do seu poder de estado é impor essas relações, enquanto as eleições servem para legitimar tudo isto. Na realidade, os interesses e as necessidades das massas aqui e no mundo inteiro não desempenham nenhum papel nestas eleições.

É perigoso pensar que estas eleições poderão, no mínimo, impedir a viragem à direita no espectro político, já para não falar em a inverter. Estas ilusões desarmam as pessoas e mantêm-nas longe da luta que de facto é necessária – como a batalha nos EUA contra o regime fascista de Trump. Tais ilusões não conseguem reconhecer que a viragem à direita está atualmente a ser levada a cabo principalmente pelos partidos burgueses estabelecidos. Também não consegue reconhecer que a AfD, o NPD e outras forças fascistas emergiram a partir do terreno do sistema dominante e continuam a ser nutridos por ele. Afinal de contas, Hitler tornou-se chanceler através dos canais “constitucionais” da República de Weimar (a “primeira democracia em terras alemãs” [1919-33]) com o apoio de grandes setores da classe dominante e a aceitação ou acomodação dos outros partidos burgueses.

Hoje em dia, o governo CDU/CSU/SPD [uma coligação de partidos cristãos e social-democratas] já implementou partes do programa da AfD – por exemplo na sua política de refugiados. Os partidos governamentais estão a adotar partes desse programa e a sua maneira de pensar subjacente enquanto, ao mesmo tempo, apontam para o perigo colocado pela AfD e companhia para ganharem as pessoas no apoio à viragem à direita que eles próprios estão a levar a cabo. Mesmo os Verdes e o Die Linke [o partido parlamentar autoproclamado de “esquerda”] estão a ajudar a implementar a política alemã de deportação nos estados onde fazem parte do governo. Nem mesmo em nome de um “mal menor”, ninguém deveria apoiar estas forças que estão a adotar cada vez mais o programa da extrema-direita.

Hoje em dia, Angela Merkel está a ser apresentada como a “alternativa razoável” ao regime fascista de Trump e Pence nos EUA, bem como aos governos de direita na Hungria e na Polónia, e mesmo como a líder do “mundo livre”. Na realidade, Merkel representa hoje fundamentalmente um consenso baseado nas políticas estabelecidas na governação dos países imperialistas ocidentais durante as últimas décadas. Mas esse consenso também se está a deslocar cada vez mais para a direita. O ressuscitado debate sobre a “Leitkultur alemã” [a cultura alemã que supostamente define o país, em oposição a outras culturas] é uma expressão disto. Os delírios agressivamente promovidos sobre o “extremismo de esquerda” e a “violência” dos protestos contra a cimeira do G20 em Hamburgo dão um sinal de que os governantes se estão a preparar para uma crescente resistência popular e a basear-se na intensificação da repressão. Quando os principais políticos dos vários partidos falam sobre a Alemanha ter de assumir “mais responsabilidades” no mundo, isto significa que o imperialismo alemão quer lutar no futuro pelas suas ambições globais de uma maneira mais agressiva – incluindo através de meios militares. A Alemanha está a preparar-se para o agudizar da competição e dos conflitos no mundo. A viragem interna à direita faz parte disto.

Forças como o Die Linke representam um papel muito nefasto e perigoso porque propagam a ilusão de que uma mudança fundamental para melhor pode acontecer sem o derrube do atual sistema capitalista-imperialista. Eles apelam a que se “quebre” o “poder dos bancos” e à “democratização” da economia, avisam os partidos do governo de que “a guerra e a ameaça da força militar” não podem ser “um meio para uma política de manutenção da paz” e manifestam-se a favor da “justiça no comércio e nas relações económicas internacionais”. Com estas frases, alimentam ilusões sobre a possibilidade de reforma de um sistema sanguessuga e do estado que o impõe. Mesmo que as propostas deles de reforma social fossem realizáveis, isso só seria à custa de uma ainda mais intensiva exploração dos povos de todo o mundo por parte do imperialismo alemão. Objetivamente, forças como o Die Linke funcionam para manter a maneira de pensar e a atividade de muitas pessoas insatisfeitas dentro um quadro “aceitável” (para o sistema) e controlável.

Em frente! Precisamos de um movimento pela revolução!

Precisamos urgentemente de um movimento político que tenha como objetivo combater os crimes deste sistema capitalista-imperialista em vez de continuar agarrado a ilusões. Precisamos de um movimento cuja meta seja uma mudança radical – que tenha como objetivo a revolução assim que as condições para isso tenham amadurecido. Há uma visão e uma abordagem científicas para construir um mundo novo onde a exploração e a opressão, a miséria, a fome, a estreiteza de raciocínio, o patriarquismo e o desperdício de vidas humanas sejam tudo coisas do passado. Trata-se do Novo Comunismo, a nova visão da revolução e do comunismo desenvolvida por Bob Avakian (presidente do Partido Comunista Revolucionário, EUA). Este Novo Comunismo representa um passo em frente incrivelmente libertador e estimulante para a humanidade.

Com ele, os monumentais problemas que os sete mil milhões de pessoas enfrentam neste planeta podem ser entendidos, em toda a sua complexidade, de uma maneira científica. Ele fornece a orientação estratégica geral para a construção de um movimento para uma revolução concreta que de facto possa vencer a massiva máquina de morte deste sistema. Fornece a orientação para como podemos construir uma sociedade que faça justiça às necessidades fundamentais das pessoas enquanto, ao mesmo tempo, abre perspetivas completamente novas para um fermento e uma criatividade culturais e intelectuais... para como realmente podemos trabalhar para a eliminação do racismo e do patriarquismo, incluindo na maneira de pensar e nos valores das pessoas... para como podemos construir uma economia que interaja com a natureza de uma maneira sustentável – e uma sociedade onde o ponto de partida não seja “o meu país” mas sim os interesses da humanidade. O Novo Comunismo dá respostas a estas questões.

Os governantes querem consolidar o seu sistema e o seu poder. Muitas pessoas pensam que uma mudança realmente radical é impossível. Mas os passos que a classe dominante já está a dar mostram que as linhas divisórias e a fissuras emergentes irão, com toda a probabilidade, conduzir a um ainda maior agudizamento das contradições que este sistema criou. Temos de fazer preparativos ativos para um tempo em que os horizontes de cada vez mais pessoas se alarguem e onde elas elevem os seus horizontes.

Apoiantes do Grupo do Manifesto Comunista Revolucionário (Europa)

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