O seguinte texto foi originalmente publicado no jornal Revolution/Revolución n.º 194, de 7 de Março de 2010 (revcom.us/avakian/no_permanent_necessity/ em inglês ou revcom.us/avakian/no_permanent_necessity/index-es.html em castelhano). Segundo a nota introdutória dos editores norte-americanos, trata-se de pontos enunciados por Bob Avakian numa recente troca de opiniões com outros camaradas, tendo o texto sido editado para publicação. Uma versão em formato PDF está disponível aqui:

Não há nenhuma “necessidade permanente” do actual estado das coisas
É possível criar um mundo radicalmente diferente e melhor com uma revolução

Por Bob Avakian, Presidente do Partido Comunista Revolucionário, EUA

Uma das mais importantes frases do Manifesto do nosso Partido (Comunismo: O Início de uma Nova Etapa) é a seguinte citação de Marx: “Assim que se compreende a ligação interna, desfaz-se toda a crença teórica na necessidade permanente do actual estado das coisas, antes de ele colapsar na prática”. Isto não é apenas uma questão teórica abstracta – tem um efeito mais vasto. Esta convicção tem um forte peso nas pessoas que não gostam do actual estado das coisas – elas são esmagadas por uma crença na “necessidade permanente do actual estado das coisas”. Somos confrontados vezes sem conta com o facto de as pessoas não conseguirem ver mais longe do que o actual estado das coisas.

Isto tem a ver com a importância de discutirmos constantemente o que é uma situação revolucionária e como é que de facto se pode fazer uma revolução. Há um ponto em “Sair Para o Mundo – Como Vanguarda do Futuro” sobre debatermos o que é uma situação revolucionária.1 Precisamos de dar às pessoas um sentido realmente vivo do que queremos dizer com “acelerar enquanto esperamos” pelo aparecimento de uma situação revolucionária. E isto está ligado ao ponto de que o que estamos a fazer é construir um movimento para a revolução e de fazermos com que as pessoas saibam o que pensamos que é uma revolução.

Esta questão da crença na necessidade permanente do actual estado das coisas – e da incapacidade de se ver além desse estado – surgiu com o movimento O Mundo Não Pode Esperar [World Can't Wait] quando as pessoas perguntavam: “O que ficaria melhor se afastássemos o Governo Bush?” Bem, pensem na dinâmica da pirâmide2 a essa luz: que teriam de fazer os Democratas se houvesse um milhão de pessoas a exigir “Afastem o Governo Bush”? Se houvesse milhões de pessoas, mesmo hoje, a insistir nas ruas que os Democratas não se “curvem” ao que os Republicanos representam, mesmo isso mudaria a dinâmica; os Democratas teriam de fazer ajustes tácticos para lidar com isso, e esses ajustes criariam mais necessidade e mais liberdade para os revolucionários poderem trabalhar. Temos de afastar as pessoas da crença na necessidade permanente do actual estado das coisas.

Isto tem a ver com a ideia de publicarmos uma constituição para o futuro estado socialista.3 Isto tem a ver com a intervenção de Raymond Lotta.4 Nós estamos precisamente a enfrentar, em muitas dimensões diferentes, essa crença na necessidade permanente do actual estado das coisas. Isto também acontece com iniciativas entre o proletariado e outras pessoas comuns que projectam uma autoridade alternativa, enquanto desafiam actos ilegítimos e abusivos das actuais autoridades. E também com o que estamos a fazer em relação às questões da mulher, da moralidade e da cultura – porque o que estamos a fazer ao popularizarmos e de facto criarmos um movimento em que as pessoas vivam a nossa moralidade não é senão projectar uma autoridade alternativa no domínio da ideologia. Todas estas iniciativas estão a dizer ao mundo que as coisas não têm de ser assim; tudo isto são diferentes avenidas para fazermos com que as pessoas compreendam a realidade de que o mundo de facto não tem de ser assim.

Nós ESTAMOS a Construir um Movimento para a Revolução

Uma grande parte da questão de transformar as pessoas é, sim, uma consciência e uma moralidade diferentes, mas também que as pessoas vejam o colapso da sua própria compreensão da “necessidade permanente do actual estado das coisas” e a possibilidade de algo completamente diferente. Isto, uma vez mais, está relacionado com a forma como falamos às pessoas: nós ESTAMOS A CONSTRUIR um movimento para a revolução – não estamos a perguntar-lhes: “Seria boa ideia fazer uma revolução?” – após o que elas nos dariam todas as razões porque não seria, ou porque não a poderíamos fazer, e isso determinaria o tom e as condições para o que se seguiria. Não, não ignoramos essas questões – falamos nelas às pessoas, mas dizendo: “Certo, isso são questões sobre as quais já pensámos e temos respostas sobre as quais podemos falar – mas nós ESTAMOS A CONSTRUIR um movimento para a revolução e essa revolução será assim, e é assim que tudo o que estamos a fazer está a contribuir para essa revolução”.

Essa frase de Marx é muito profunda – e não apenas para os intelectuais. Só porque usa a expressão “toda a crença teórica”, poderíamos cometer o erro de pensar que se aplica às pessoas que lidam com elevados níveis de teoria. Mas, no mundo de hoje, essa crença (em que o mundo não pode ser mudado quanto ao fundamental) “passou para baixo” e é uma das principais coisas que pesam sobre as pessoas. Por isso, é uma linha que tem de passar por muito mais em termos desta campanha que estamos a fazer este ano para realmente mudarmos todo o caminho das coisas, agora, muito radicalmente, centrada na mensagem e no apelo feito pelo nosso Partido: “A Revolução de que Precisamos... E a Liderança que Temos”.5 Não há dúvida nenhuma que o espírito, a substância e o sentido fundamental a que Marx chega está longe de guiar o que estamos a fazer agora. E isto é um dos maiores pesos sobre as pessoas. Há maneiras na prática, bem como na teoria, à nossa disposição para começarmos a demolir a crença nessa “necessidade permanente”, bem como debatermos que moralidade está a atrair as pessoas.

Isto tem tudo a ver com a questão de “acelerar enquanto esperamos”. Se concebermos a revolução como o facto de um dia o mundo de alguma forma vir a ser radicalmente diferente e de nessa altura virmos a fazer algo que vai mudar isto radicalmente (...) não, isso não vai acontecer – mas não, não é isso que estamos a fazer. Temos de elevar as nossas perspectivas e de liderar constantemente na consciência de que o mundo NÃO tem de ser assim e que nós ESTAMOS a construir um movimento para a revolução. Isto não é declarado, pelo menos não de uma forma consistente e convincente, às pessoas mais avançadas à nossa volta neste momento – cujo número é ainda demasiado pequeno – não é isto que lhes está a chegar. Tudo isto de que “a revolução é real” – a revolução tornada palpável –, tudo isto está ligado a tudo o que eu estou aqui a dizer. Construir de facto um movimento para a revolução e divulgar isso.

O que se depreende dessa citação de Marx é que ele trouxe à luz do dia não só as ligações internas do próprio capitalismo, mas também a sua ligação interna a outros sistemas e, com base nisso, mostrou que não havia nenhuma necessidade do capitalismo nem de nenhum outro sistema de exploração. Ele mostrou que se trata de um sistema que evoluiu historicamente. Marx salientou que os teóricos burgueses iriam falar sobre todo o tipo de mudanças nas relações capitalistas, mas sempre assumindo que essas relações são o ponto mais elevado e final do desenvolvimento humano. Mas essa não é a única forma, sobretudo no mundo de hoje, de se fazer as coisas – há uma forma muito melhor. É esta a afirmação que é feita no discurso Revolução, no DVD, sobre como podemos fazer toda esta complexa produção sem os imperialistas, e fazê-la melhor.6

Mas tudo o que dissermos é filtrado pelas actuais relações de produção e pela superestrutura que emerge dessa base económica. Vejamos a experiência da pessoa que escreveu para o jornal sobre a secção “Imaginem” do discurso sobre a revolução: como inicialmente não a viu no contexto de todo o discurso, entendeu-a como mais uma “promessa de político”. Depois, viu o discurso todo até ao fim e surgiu-lhe de uma forma completamente diferente.7

Tudo isto tem muito a ver com o facto de sabermos se estamos a construir um movimento para a revolução e uma sociedade radicalmente diferente, ou se apenas estamos a fazer coisas inúteis. Não vamos lá chegar se esta orientação não imbuir e der forma a tudo o que fazemos. Então chegamos ao fenómeno em que as pessoas que acabam de chegar encontram oposição e afastam-se, e embora haja problemas com os nossos camaradas assumirem uma abordagem de “tudo-ou-nada” com essas pessoas, este ponto que estou aqui a fazer é de facto ainda mais essencial.8 De facto, o real colapso do actual sistema é impossível na prática se não tiver sido concretizado primeiro na teoria, ou seja, na consciência de muita gente. Isto tem de aparecer muito mais constantemente em tudo o que fazemos – não apenas em discursos ou artigos, mas em todo o trabalho que fazemos, é isto que devemos apresentar às pessoas: NÃO HÁ NENHUMA necessidade permanente do actual estado das coisas.

Nunca haverá uma tentativa de se fazer a revolução, uma verdadeira tentativa, se não estivermos constantemente a debater o que ela poderá ser na altura em que, com as necessárias mudanças e saltos qualitativas na situação objectiva, aquilo de que falamos em “Sobre a Possibilidade”9 se tornar real. Não poderemos transformar as coisas de uma forma progressista com esta base económica capitalista; se quisermos “ir além da General Motors” teremos de acabar com o actual poder de estado. Não estou a dizer que deveríamos fazer um discurso sobre isso a toda a hora, mas que isso deveria imbuir e guiar o que fazemos e o que levamos às massas.

Então, quando tivermos um núcleo significativo que já não acredite na necessidade permanente destas condições, ele poderá fazer muito melhor no debate e na interacção com as vastas massas. Poderá deixar claro às pessoas que se aproximem que, sim, vocês irão ter muita oposição lá fora, mas isso só acontece porque há uma superestrutura (há todo um aparelho para “moldar a opinião pública” e dar forma à “cultura popular”) que influencia as pessoas a pensarem que não há nenhuma outra forma de viver a não ser esta – o que de facto não é verdade.

É isto que queremos dizer com construir um movimento PARA A REVOLUÇÃO. Sim, combater o poder, mas esta é a parte do “para a revolução”.10 Devíamos ir ter com as pessoas como eu disse: “Estamos a construir este movimento para a revolução e vocês devem fazer parte dele, mas não estamos a fazer uma sondagem sobre se as pessoas pensam que ela é possível (...) nós temos bastante a dizer sobre isso (...) mas entretanto estamos a construir isto”.

Emancipadores da Humanidade

O que é de facto a nova síntese?11 A sua essência é o núcleo sólido e a elasticidade. Numa intervenção que fiz, já lá vão vários anos, alguém perguntou: “Como é que faria melhor que a União Soviética ou a China de Mao?” Uma das coisas que lhe disse foi: “Não acredito em ir a reboque das pessoas só porque elas são oprimidas – nós precisamos de emancipadores da humanidade”. Quando houver uma situação qualitativamente diferente da que temos agora – quando tiver sido eliminado o actual sistema e criado o novo sistema socialista – terá de haver um exército, enquanto coluna vertebral de um estado concreto, que defenda o novo sistema, e esse exército será, em grande parte composto de pessoas muito elementares. Mas nós temos de as treinar para compreenderem que, como parte disso, elas vão ter de estar a proteger os direitos das pessoas que se opõem a esse novo sistema, e vão ter de defender o direito dessas pessoas a erguerem essa oposição e, ao mesmo tempo, também vão ter de conter as pessoas que realmente estiverem a tentar esmagar o poder de estado que tivermos. Eu disse que isso seria uma luta com as massas, mas a todos os níveis temos de trazer pessoas que têm este tipo de entendimento do que estamos a fazer. A Constituição do novo sistema socialista vai enumerar os direitos do povo e esse aparelho de estado vai proteger os direitos das pessoas que não concordam, desde que elas não tentem activa e concretamente organizar-se para derrubar esse aparelho de estado. É aqui que entra o ponto de Lenine: Enquanto houver classes, uma das classe vai dominar e “é melhor que seja eu que tu” – isto é, é melhor que seja a ditadura do proletariado que a ditadura da burguesia (a classe capitalista).

Mas o que é essa ditadura do proletariado? AMBOS aspectos são importantes – o núcleo sólido e a elasticidade. Não haverá uma General Motors na sociedade socialista, e também não haverá um FBI nem um LAPD. Esse tipo de instituições será abolido e – a menos que elas aceitem abolir-se voluntariamente – terão de ser abolidas à força pela futura ditadura do proletariado. Talvez lhes sejam dadas 24 horas para se dissolverem!... Mas terão de ser dissolvidas. Haverá instituições revolucionárias em vez dessas instituições velhas, opressoras e reaccionárias... E, sim, é isso que nós estamos a construir – com vista ao momento em que haverá uma mudança qualitativa na situação objectiva, em que sejam criadas uma situação revolucionária e um povo revolucionário aos milhões e milhões. E quando essa revolução for feita, quando um novo poder de estado revolucionário for criado, não só haverá um novo exército, como esse novo exército será guiado por princípios muito diferentes. Haverá uma cultura nesse exército, mas ela certamente não será (como o hino dos fuzileiros navais imperialistas): “Das salas de Moctezuma às costas de Tripoli” – não será isso que irá guiar o novo aparelho de estado! Basta de General Motors e basta de fuzileiros navais. Os princípios sobre os quais estamos aqui a falar, e a razão por que estamos a sair para ganhar as pessoas para serem emancipadoras da humanidade, são que elas vão ser a verdadeira coluna vertebral do novo estado.

Isto tem tudo a ver com a questão da “necessidade permanente”. Tem a ver com a “natureza humana” e com o facto de que, tal como não há nenhuma “necessidade permanente” do actual estado das coisas, também não há nenhuma “natureza humana inalterada e inalterável”.

As pessoas dizem: “Estás a dizer-me que esses jovens que andam por aí a vender drogas e a matarem-se uns aos outros e que são apanhados em todo o tipo de outras coisas, podem ser a coluna vertebral desse poder de estado revolucionário do futuro?” Sim – mas não como eles são agora e não sem luta. Eles não estiveram sempre a vender drogas e a matar-se uns aos outros e tudo isso – e não têm de andar metidos nisso tudo no futuro. Perguntem-se a vós próprios: como é que em poucos anos alguém passa de uma criança bonita a um suposto “monstro irredimível”? É por causa do sistema e do que ele faz às pessoas – e não por causa da “natureza humana inalterada e inalterável”.

Nós estamos a falar de todo um caminho diferente e melhor que podemos criar... se ganharmos.

Sim, estamos a falar de condições que ainda não existem, e os nossos inimigos podem intencionalmente tirar as coisas do contexto e interpretar isso mal. Por isso, é bom que aprendamos a falar melhor sobre isto, porque as pessoas precisam de se debater com a possibilidade da existência dessas futuras condições, como parte de fazer com que esta perspectiva exista na sociedade. Inspiremos as pessoas – façamos com que haja muitas expressões de uma cultura radicalmente diferente e escrevamos alguns hinos novos para as pessoas – com uma mensagem radicalmente diferente da das forças imperialistas saqueadoras, assassinas, invasoras e ocupantes – “Das salas de Moctezuma às costas de Tripoli”... NÃO. Como é que as pessoas irão ser incentivadas e inspiradas a viver e a morrer? Temos de dizer a quem quer um mundo novo mas não quer – ou não compreenda a sua necessidade – toda esta coisa de promover, proteger e ouvir as divergências: “Se quisermos um mundo novo em que as crianças não sejam mortas pela polícia e em que não ocorram todas essas outras afrontas, então temos de ir até ao fundo em tudo isto. Não deveríamos querer que estas afrontas acontecessem a nenhum grupo de pessoas. O nosso objectivo deveria ser um mundo radicalmente diferente onde tudo isto tenha sido enterrado no passado.”

NOTAS

1. Refere-se à seguinte passagem de “Sair Para o Mundo – Como Vanguarda do Futuro”, uma intervenção de Bob Avakian em 2008:

“A seguir, quero falar do que se poderia chamar: mais sobre – ou mais trabalho para ser feito sobre – a situação revolucionária (nas suas várias componentes), em particular num país como este [os EUA – NT]. Onde eu quero chegar é à importância de debatermos continuamente as questões: O que é realmente uma situação revolucionária? Como é que ela pode surgir? Que factores se poderiam conjugar para se estabelecer a base necessária para uma tal situação revolucionária?”

“É muito importante estar permanentemente a voltar a debater este tipo de questões. Ao mesmo tempo, também é importante salientar que isto não deva ser abordado de uma forma idealista – inventando um cenário e depois tentando impô-lo, de uma forma apriorista, à realidade. Em vez disso, é uma questão e uma necessidade de se sondar e escavar constantemente por baixo da superfície para se identificar as tendências e as forças, dentro de um país específico e na situação mundial global, que possam tornar-se parte, ou contribuir, para a ‘mistura’ que constitui uma situação revolucionária; e é importante fazê-lo com antecedência não só antes do surgimento de facto de uma situação revolucionária, mas muito antes que as características específicas dessa situação se tornem imediata e obviamente aparentes. Bem antes disso, e de uma forma repetida, é necessário estarmos a debater, uma vez mais no domínio da concepção estratégica, tanto os aspectos objectivos como os subjectivos dessa situação revolucionária: que factores objectivos podem concebivelmente vir a conjugar-se para fornecerem os elementos objectivos de uma situação revolucionária _e_ em que posição terá de estar a vanguarda da revolução, em termos da sua influência, bem como das suas ligações organizadas com diferentes sectores das massas de forma a agarrar essa situação – e o que é que a vanguarda terá de fazer numa tal situação para levar ao seu amadurecimento integral e depois liderar as massas, aos milhões, a levarem a cabo a luta pela tomada do poder. Isto é uma outra expressão de como a teoria, ou a concepção estratégica, ‘corre à frente’ da prática. Mas, ao mesmo tempo, é necessário e importante relembrar e manter o reconhecimento de um princípio decisivo que Lenine realçou – o de que, durante o próprio acontecimento, a vida é muito mais rica que a sua antecipação conceptual e, neste sentido, tal como o salientou Lenine, a teoria é cinzenta enquanto a árvore da vida é verde – e, em conformidade com isto, enquanto as contradições da vida real continuarem a desenvolver-se – incluindo através do papel do acaso e das contingências, numa relação dialéctica entre a necessidade e a causalidade – é necessário voltar continuamente a debater a concepção do que é uma situação revolucionária e que exigências o seu desenvolvimento exerce sobre o factor subjectivo (o partido de vanguarda).”

“Não é uma especulação ociosa – nem, repito, um apriorismo idealista – que está em causa, mas sim uma disputa ininterrupta com aquilo que, afinal de contas, estamos a tentar fazer, em termos de dar o primeiro grande salto, superar o primeiro grande obstáculo, e como é que isso molda e influencia o que estamos a fazer agora, ainda que o nosso trabalho neste período seja qualitativamente diferente do trabalho que os revolucionários estarão a fazer assim que uma situação revolucionária emerja de facto. Isto é uma outra forma de dizer: qual é o vínculo vivo aqui? – Neste caso, particularmente ao nível da concepção estratégica e da sua relação com a prática num dado momento qualquer.”

“Também se pode salientar, e deve salientar-se, que não se lutar com isto da forma que eu tenho vindo a dizer, é uma outra forma de andar atrás da espontaneidade e isso levará ao ‘gradualismo’ – ou, para o dizer de uma forma mais simples, ao revisionismo – e à acomodação e capitulação perante o mundo tal como ele é, tal como ele é dominado e governado pelo imperialismo e pelas classes reaccionárias.”

2. Para uma discussão da dinâmica da pirâmide, ver a mais recente intervenção de Bob Avakian, “Contradições não resolvidas, forças motrizes da revolução” em revcom.us/avakian/driving (em inglês) ou revcom.us/avakian/driving/driving_toc-es.html (em castelhano) – e, em particular, a secção “A Relevância e Importância Permanentes da ‘Análise em Pirâmide’” em “I. Uma Vez Mais Sobre a Guerra Civil Que Se Avizinha... e a Repolarização Para a Revolução”.

3. Bob Avakian avançou recentemente, entre a liderança do Partido, a ideia de alguns camaradas do Partido escreverem a constituição de um futuro estado socialista, como forma de dar substância e vida à forma como a nova síntese se aplicaria de facto ao governo de uma sociedade que seja simultaneamente um sistema radicalmente novo em si mesmo e uma sociedade em transição para o comunismo.

4. Refere-se ao discurso “Tudo o Que Te Disseram Sobre o Comunismo É Falso – O Capitalismo é um Fracasso, a Revolução é a Solução!” que Raymond Lotta fez em várias universidades em 2009-2010.

5. Ver no Revolution/Revolución n.º 170, de 19 de Julho de 2009, esta mensagem e apelo. Esse número do Revolution/Revolución também tem um editorial que detalha os objectivos da campanha:

Primeiro, pretendemos realmente divulgar a revolução nesta sociedade, para que milhões de pessoas, aqui e em todo o mundo, fiquem a saber DESTA revolução.

Segundo, pretendemos tornar Bob Avakian, Presidente do nosso Partido e líder da revolução, um “nome familiar” – uma pessoa conhecida em toda a sociedade, tal que um crescente número de pessoas tente conhecer, envolver-se e apoiar a sua obra, o seu pensamento e a sua liderança.

E terceiro, como é descrito na recente intervenção do Presidente Avakian, “Reflexões e Discussões”, pretendemos atrair um núcleo de “pessoas que vejam isto como sua missão e que se guiem pela perspectiva e pela linha do Partido, de saírem para a sociedade e de facto lutarem por essa linha, conquistarem pessoas para ela, organizarem-nas no movimento revolucionário e lutarem para que elas se tornem comunistas e depois adiram ao Partido assim que derem esse salto para serem comunistas”.

6. Refere-se a uma passagem da intervenção “Revolução: Porque é Necessária, Porque é Possível e o Que é”, onde Bob Avakian afirma: “O Capitalismo, sobretudo agora que atingiu a fase do imperialismo, controla, domina, manipula e mutila a vida das pessoas em todo o mundo. Muitas vezes, ouvimos esses imperialistas e os seus porta-vozes dizerem coisas como: ‘Bem, vocês dizem que nós estamos a explorar as pessoas. Mas sem nós não haveria emprego.’ Eles aparecem com isto, sobretudo de cada vez que vem a público que estão a pagar às pessoas algo como alguns cêntimos por hora nos países do Terceiro Mundo. Mas não. A verdade é que, sem esses imperialistas, continuaria a haver pessoas capazes de trabalhar, capazes de planear e de gerir uma economia. Continuaria a haver recursos naturais e riquezas potenciais para os povos desses países, quando eles assumirem o controlo das suas sociedades e as refizerem de uma forma radical, através da revolução. Mas, nessa altura, o que não haveria seria o capital, o capitalismo, o imperialismo a explorarem e roubarem os povos e a saquearem os seus países. E as massas populares de todo o mundo estariam muito melhor. Não é possível transformar este sistema em algo diferente do que ele é. Enquanto ele dominar, enquanto estiver em vigor, tudo o que ele fizer, todas as formas como faz sofrer as pessoas em todo o mundo, irão manter-se e só poderão ficar pior. Porque essa é a única forma como este sistema consegue funcionar.”

7. Refere-se a uma carta de um leitor publicada no Revolution/Revolución n.º 190, “A Intervenção Sobre a Revolução: ‘Uma Ferramenta Preciosa, Rara e Enorme’”.

8. A abordagem de “tudo-ou-nada” que aqui é criticada é uma abordagem que exige um elevado nível de actividade e compromisso da parte de todos os que se interessem pela revolução, o comunismo e o Partido, em vez de encontrarem as formas de fazer com que as pessoas vão ver as coisas e participarem a um nível que corresponda à sua verdadeira compreensão actual do mundo e ao seu sentido de como mudar isso a qualquer momento, “dando-lhes ar para respirar” e espaço para aprenderem com a sua própria experiência, ao mesmo tempo que se luta com elas quanto a estas questões – luta essa que é levada a cabo de uma forma viva e não dogmática que englobe tanto a aprendizagem como a liderança.

9. Refere-se a “Sobre a Possibilidade da Revolução” que surgiu originalmente no Revolution/Revolución n.º 102 e foi incluído no folheto Revolução e Comunismo: Fundamentos e Orientação Estratégica (1 de Maio de 2008), pp. 80-89.

10. A formulação “Combater o Poder e Transformar as Pessoas, para a Revolução” encarna uma parte fundamental da abordagem estratégica do Partido para a construção de um movimento revolucionário. Para uma discussão dessa formulação, ver a intervenção de Bob Avakian “Fazer a Revolução e Emancipar a Humanidade”, e em particular a “Parte 2: Tudo o Que Fazemos Tem a Ver com a Revolução”.

11. Discussões substanciais sobre a nova síntese estão disponíveis em “Uma nova concepção da Revolução e do Comunismo: O QUE É A NOVA SÍNTESE DE BOB AVAKIAN?” (uma intervenção feita na Primavera de 2008 e disponível online em revcom.us) e numa secção da intervenção de Bob Avakian “Fazer a Revolução e Emancipar a Humanidade” que está disponível em formato PDF em revcom.us/i/188/188new_synthesis-en.pdf. Vá a revcom.us para mais obras de Bob Avakian.