Índia: O PCI (Maoista) a propósito da morte do camarada dirigente Koteswarlu (Kishenji)

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 30 de Janeiro de 2012, aworldtowinns.co.uk

Publicamos de seguida excertos de um comunicado à imprensa assinado por Abhay, porta-voz do Comité Central do Partido Comunista da Índia (Maoista), com a data de 13 de Janeiro. Para ler a declaração na íntegra, ver www.bannedthought.net.

A 24 de Novembro de 2011 a revolução indiana perdeu o seu grande líder e as massas oprimidas da Índia perderam o seu mais fiel servidor. O dia 24 de Novembro ficará marcado como um dia negro na história da revolução indiana. A 1 de Julho de 2010, as classes dominantes indianas tinham assassinado o membro do Politburo e nosso porta-voz Camarada Azad. Passado ano e meio, um outro membro do Politburo, o Camarada Koteswarlu (que era muito conhecido entre o povo e nas fileiras do partido como Kotanna, Prahlad, Ramji, Kishenji e Bimal), foi capturado vivo numa operação encoberta, e cruelmente torturado e assassinado num falso recontro.

Na Índia, que alega ser a maior democracia do mundo, as classes dominantes feudais e burguesas comprador-burocratas, com o apoio dos imperialistas, sobretudo dos imperialistas norte-americanos, estão a tentar esmagar os movimentos democráticos, de libertação nacional e revolucionários com um punho de ferro. Em particular, desde 2009 que levam a cabo uma injusta guerra contra o povo com o nome de “Operação Caçada Verde”. Estão a violar descaradamente mesmo a constituição e as leis por eles formuladas e estão a matar o povo, os activistas e os líderes do movimento. Estão a tentar, sem êxito, justificar todos os seus assassinatos ilícitos em nome de uma mentira chamada “recontros”, copiando os passos dos governantes coloniais britânicos. É agora um facto estabelecido que um “recontro” em qualquer ponto da Índia quer dizer um assassinato conspirativo efectuado pelo estado.

O Camarada Koteswarlu nasceu a 26 de Novembro de 1954 em Peddapalli, uma cidade do distrito de Karimnagar que tem o legado da gloriosa luta armada do Telangana. Foi dirigente do movimento revolucionário indiano durante quase quatro décadas. O Camarada Koteswarlu foi criado por pais de ideias democráticas e absorveu sentimentos patrióticos e o amor pelos oprimidos desde a infância. Era um representante de topo da geração posterior à gloriosa revolta de Naxalbari. Embora a revolta de Naxalbari, que estabeleceu a Guerra Popular Prolongada Maoista como o caminho para a revolução indiana, tenha sido esmagada em poucos anos, teve um grande impacto em todo o país. Em muitas regiões emergiram revoltas camponesas que seguiam o seu modelo. Despertou os estudantes nas universidades. O slogan “Naxalbari Ek Hi Rasta” (Naxalbari é o Único Caminho) reverberou por todo o país. Foi este pano de fundo que transformou o Camarada Koteswarlu num revolucionário maoista.

No final dos anos 60, o Camarada Koteswarlu desempenhou um papel crucial no movimento camponês Jagityal e na primeira década do século XXI ele tornou-se no arquitecto da célebre sublevação popular de Lalgarh. Foi um líder inspirador que nunca deixou o povo e os quadros e que, com coragem e iniciativa, se manteve firme durante muitos altos e baixos do movimento revolucionário indiano. Era um organizador com iniciativa, um guerreiro/comandante e um guia que transmitia amor e atenção. Desde o princípio que bastava a sua presença para ser um osso duro de roer para o inimigo. Repeliu vitoriosamente vários ataques e tentativas de o assassinarem. Foi um guerreiro incansável que lutou incessante e inflexivelmente e que nunca perdeu nenhuma oportunidade para atacar o inimigo, política e militarmente.

Foi por isto que a clique dominante deste país, liderada por Sônia-Manmohan-Chidambaram-Pranab-Jairam, se conluiaram com o Ministro Principal do estado indiano do Bengala Ocidental, Mamata Banerjee, e o assassinaram da forma mais cruel. Os brutais sinais de tortura no seu corpo morto indicam a natureza fascista do inimigo, a sua cobardia e a sua derrota. Por outro lado, ele agüentou todas as torturas desumanas às mãos do inimigo e emergiu vitorioso, mesmo perante a morte. A cor rubra da bandeira vermelha internacional dos proletários ficou mais profunda com o sangue por ele derramado na Floresta Mahal.

Ver também: Índia: Assassinado Kishenji, dirigente do PCI (Maoista)