Índia: Assassinado o camarada dirigente Azad – Comunicado do PCI (Maoista)

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 12 de Julho de 2010, aworldtowinns.co.uk

Foi com grande pesar e indignação que tomámos conhecimento que as autoridades indianas capturaram e assassinaram a sangue frio o camarada Azad (Cherukuri Rajkumar), um membro dirigente do Partido Comunista da Índia (Maoista) conhecido em todo o mundo pelo seu trabalho como porta-voz do partido, e o camarada Hemchandra Pandey. O texto que se segue é uma versão ligeiramente editada do comunicado do Comité Central do PCI (Maoista) distribuído a 3 de Julho de 2010 pelo Serviço de Imprensa da Região Norte do Partido.

A 1 de Julho, a Agência Especial de Informações [SIB] da polícia do Andhra Pradesh [AP], uma unidade conhecida pelos seus raptos e assassinatos a sangue frio, prendeu, por volta das 11 horas, na cidade de Nagpur, o camarada Azad (Cherukuri Rajkumar), membro da Comissão Política e porta-voz do PCI (Maoista), e o camarada Hem Pandey (Jitender), membro de um comité de zona, quando estes se dirigiam para uma reunião com um camarada da zona de Dandakaranya que estava previsto recebe-los. Por volta das 10 horas do dia fatal, o camarada Azad chegou a Nagpur, juntamente com o camarada Hem Pandey, depois de ter viajado uma longa distância. Agindo com base em informações específicas, os arruaceiros sem lei da SIB do AP sequestraram-nos e levaram-nos, provavelmente de helicóptero, para a selva de Adilabad, perto da fronteira do Maharashtra, e mataram-nos, disparando sobre eles à queima-roupa e a sangue frio.

Prestamos a nossa homenagem vermelha aos nossos queridos camaradas (...).

A vida do camarada Azad

O camarada Azad era um dos dirigentes mais seniores do PCI (Maoista). Nasceu no bairro de Krishna, no AP, numa família próspera. Estudou na Escola Sainik em Korukonda, no actual Distrito de Vizianagaram. Em 1974, o camarada Surapuneni Janardhan, um lendário camarada do movimento estudantil, levou o camarada Rajkumar para a União de Estudantes Radicais [UER].

Estudante brilhante da Universidade Regional de Engenharia, que nesses dias se tornou famosa como Universidade Radical de Engenharia, concluiu o seu curso de engenharia química e, sob instruções do Partido, mudou-se para Vishakhapatnam. Foi o segundo presidente da UER do AP até 1984. Foi o catalisador por trás de muita da agitação estudantil de todo o AP e dos movimentos populares desse período. Tornou-se membro do comité distrital do PCI(ML) (Guerra Popular).

Viajou por toda a Índia para organizar o Seminário sobre a Questão da Nacionalidade que se realizou em 1981 em Madras (a actual Chennai). Foi deslocado para Karnataka em 1982, onde o camarada Azad foi um dos membros fundadores do partido e trabalhou como secretário do Comité Estatal. Tornou-se membro do Comité Central do PCI(ML) (Guerra Popular) após o Pleno Central de 1990 e do seu Comité Político na Conferência de Toda a Índia em 1995. Manteve-se nesses lugares após a formação do PCI (Maoista) em 2004. Era desde então o porta-voz do CC.

Conhecido pela sua vida simples e trabalho árduo, por uma leitura voraz e pelas brilhantes análises das situações, pela articulação cristalina e lógica aguçada e pela sua boa capacidade organizativa, contribuiu amplamente para o movimento revolucionário a muitos níveis.

Escreveu profusamente para as revistas People’s March [Marcha do Povo], People's War [Guerra Popular] (o órgão teórico do partido) e o Boletim de Informação Maoista. Escreveu uma fina crítica dos intelectuais do AP que se desiludiram e perderam a fé no movimento revolucionário após o colapso do imperialismo soviético e dos seus regimes satélite.

Com a sua morte, o movimento revolucionário indiano perde um camarada exemplar e uma estrela luminosa que serviu o movimento durante mais de três décadas e meia...

O Camarada Hem Pandey, de 30 anos, era originário da vizinha aldeia de Pithoragarh, no estado indiano de Uttarakhand. Tirou o seu mestrado em história na Universidade de Nainital e inscreveu-se num programa de doutoramento. Quando andava na Universidade, tornou-se membro activo da AISA. Apercebendo-se gradualmente do carácter pseudo-revolucionário da política da AISA, mudou para grupos radicais. Mais tarde, em 2001, juntou-se ao então PCI(ML)(GP). Organizou os camponeses das aldeias montanhosas do distrito de Almora, levando uma grande quantidade de questões ao campesinato.

De modos suaves, com óculos, magro e enérgico, o camarada Hem conquistou o carinho do povo dessa região. Em 2005, foi mobilizado para uma outra função. Cumpriu as suas novas tarefas com paciência e persistência. O seu apetite para aprender coisas novas e ler cada vez mais e o seu entusiasmo em redigir as suas ideias serão emulados por todos os revolucionários. Escreveu artigos para revistas de notícias sob vários pseudónimos. Pedimos às organizações de direitos civis que exijam que a polícia do AP envie o corpo do camarada Hem Pandey à sua inconsolável mãe em Haldwani, no estado indiano de Uttarakhand, que é a sua única sobrevivente na família.

A SIB do AP – O avatar indiano da Mossad

A Agência Especial de Informações do Andhra Pradesh tem sido parcialmente treinada pela Mossad [os serviços secretos israelitas] (...). Atravessa as fronteiras do estado e leva a cabo raptos e assassinatos a sangue frio com total impunidade. Tudo isto está a ocorrer com a clara bênção de Manmohan [o primeiro-ministro Manmohan Singh], de Sonia [a dirigente do Partido do Congresso Sonia Gandhi] e [do Ministro do Interior] Chidambaram. Esse bando fascista estendeu os seus tentáculos a toda a Índia, recorrendo ao assassinato de revolucionários e escarnecendo a recente decisão do supremo tribunal do AP de que todos os “recontros” [em que as autoridades assassinam revolucionários capturados ou sequestrados e depois comunicam falsamente que eles morreram em “recontros” – batalhas armadas] devem ser registados inicialmente como assassinatos (...) [e depois levados a um juiz para serem investigados como possíveis homicídios culpáveis].

Esperará Chidambaram que o PCI (Maoista) se sente para conversações quando ele tem o sangue dos camaradas Azad e Hem Pandey nas suas mãos?

O PCI (Maoista) nunca contestou nem protestou contra verdadeiros recontros. A polícia do AP está a recorrer a mentiras ao estilo de Goebbels, em que ninguém acredita, nem sequer os mais incautos. O PCI (Maoista) tem defendido a verdade e a responsabilidade perante o povo e sempre declarou os factos. Azad não se dirigia à floresta de Sarkepally, em Adilabad. Como não há nenhuma actividade nem organização em Adilabad, porque é que ele lá iria? Azad ia discutir com camaradas nossos, entre outras coisas, as propostas concretas de pessoas bem intencionadas como Swami Agnivesh [uma personalidade que tem tentado organizar conversações entre o PCI(M) e o governo central] sobre datas específicas para um cessar-fogo mútuo. Ele trazia consigo uma carta confidencial que lhe foi escrita por Swami Agnivesh, com a data de 26 de Junho de 2010. Esperará Chidambaram que o PCI (Maoista) se sente para conversações com o sangue dos camaradas Azad e Hem Pandey nas mãos dele? Ele pede repetidamente que renunciemos à violência. O assassinato de camaradas desarmados pela polícia do AP com a sua bênção – não será que isso é semelhante a diabos a cantar as escrituras?

As mentiras da polícia do AP

A polícia ter encontrado uma AK47 também é uma mentira. O camarada Azad saiu do comboio por volta das 10 horas na estação de Nagpur, juntamente com o camarada Hem Pandey, e foi capturado desarmado pela SIB do AP. Estará o governo a cumprir o artigo 21º da sua própria Constituição? Estará o governo a cumprir o essencial da Convenção de Genebra que diz que “às pessoas indefesas” não se deve fazer mal? Não será uma absoluta hipocrisia e uma farsa que, enquanto o governo apresenta a lei de prevenção da tortura, a polícia recorra a toda a hora à tortura de detidos? Estas histórias de recontros forjados têm sido repetidas até à náusea pela polícia do AP e inúmeras vezes fornecidas em massa à comunicação social. O direito à vida, garantido pela Constituição, está a ser escarnecido e o direito a ser-se levado a um juiz num prazo de 24 horas após a prisão metamorfoseou-se em ser-se morto em menos de 24 horas após a prisão, pelo que não fica nenhuma margem para qualquer rectificação pelos seus entes próximos e queridos.

Apelamos às organizações de direitos civis, aos democratas e patriotas que se ergam nesta ocasião e investiguem integralmente este falso recontro como exemplo dos assassinatos extrajudiciais que estão a ocorrer em grande número neste país e que levem a verdade ao povo.

– Ajay, porta-voz do PCI (Maoista)