O seguinte comunicado do GMCR (Europa) foi profusamente distribuído na Marcha pela Ciência em Paris, França, a 22 de abril de 2017.


Defendamos as ciências e a verdade – e mudemos o mundo


A eleição de Donald Trump desencadeou uma batalha crucial para expulsar o regime Trump/Pence que está a instalar a sua versão do século XXI do fascismo, com grandes repercussões em todo o mundo. A lista de ataques desenfreados nos EUA e a resistência contra eles é longa: racismo, xenofobia, misoginia, o decreto anti-imigração (e a interdição dos muçulmanos), uma criminalização mais virulenta dos jovens negros e o reforço da polícia, a expulsão de mexicanos e de outras pessoas, atentados aos direitos fundamentais, ao aborto, à liberdade de viajar... e muito mais.

O programa do regime Trump é profundamente anticiência e antiambiente. Ele não nega apenas o aquecimento climático e os perigos que o planeta enfrenta, relançando projetos de oleodutos e de gás de xisto; ele também amordaçou os cientistas governamentais e fez cortes orçamentais na proteção ambiental, bem como nas instituições de saúde pública e noutras organizações de investigação não diretamente ligadas à produção de armamento. O campo de Trump vai censurar ainda mais os cientistas e as conclusões deles, limitando as deslocações (um grande número de investigadores nos EUA são de origem estrangeira), barrando a livre circulação do conhecimento e pondo em perigo futuras descobertas e investigações. E eles reduziram o papel da ciência na política pública sempre que ela esteja em conflito com as intenções escondidas deles ou com os interesses privados deles.

O elemento comum de todas estas diferentes batalhas é a luta pela verdade. A avalanche de mentiras e de “factos alternativos” do regime Trump serve, entre outras coisas, para pôr em questão a verdade de que a realidade é conhecível.

A ascensão de Trump e Pence ao poder nos EUA reforçou consideravelmente a deslocação política para a direita na Europa. Atualmente não vemos senão os primeiros passos do impacto. Os termos do debate político estão em vias de mudar quanto à melhor maneira de governar, numa altura em que o modelo social-democrata francês (e de outros países) e o consenso do passado já não são sustentáveis. A classe política disputa as rédeas do poder e as modificações que ela considera necessárias para preservar o atual quadro de governação, ao mesmo tempo que acelera a reação e a repressão, o que em simultâneo reforça os partidos fascistas.

No domínio da investigação científica, haverá certamente repercussões e uma luta em defesa das ciências na Europa – como as marchas mundiais pela ciência – deve integrar-se forçosamente com a luta contra a subida do fascismo nos Estados Unidos e em todo o lado.

O capitalismo-imperialismo “normal” e as ciências

O fascismo é certamente monstruoso e grotesco – na realidade uma concentração do funcionamento “normal” do capitalismo. Este representa um verdadeiro horror para a humanidade: as guerras imperialistas, a discriminação e a opressão acrescidas das minorias nacionais ou de origem estrangeira, dos refugiados e das mulheres, e a destruição do planeta, tudo isto são consequências do sistema.

O capitalismo-imperialismo entrava a continuação da ciência. O acesso à formação ligada ao domínio das ideias é bloqueado a grandes setores da população devido à profunda divisão que este sistema opera entre o trabalho manual e o intelectual, limitando as possibilidades de descoberta por parte da humanidade no seu conjunto. Milhões de crianças em todo o mundo são privadas dos fundamentos da ciência, do método científico e mesmo do conhecimento de base sobre a origem do universo e da vida na Terra. O reforço da religião num grande número de estados desempenha aí um papel não negligenciável. O terreno que tudo isto cria está assim fértil para o fascismo incitar a sua base social a deturpar a ciência e a favorecer um clima generalizado de “não ser possível saber nada”.

O financiamento da investigação científica – e a disponibilização das riquezas sociais para a concretizar – é ditado pelos objetivos do sistema e da classe dominante. Objetivos esses que não correspondem de maneira nenhuma aos interesses da humanidade. A alocação da investigação orientada para as “necessidades” dos setores da defesa e da energia não é senão um sintoma de um fenómeno que coloca em perigo a investigação independente e inovadora em todos os domínios.

A concorrência é a principal força motriz do capitalismo: entre nações, entre blocos de capitais sob a forma de grandes empresas e entre indivíduos. Em vez de os resultados científicos serem transmitidos ao mundo inteiro para benefício de todos, são reduzidos a propriedade intelectual, destinados à comercialização e a serem utilizados contra os concorrentes no plano nacional ou ao nível das empresas.

A competitividade capitalista manifesta-se na ideologia do “eu primeiro”, a qual perverte as relações sociais e é um obstáculo à cooperação e à partilha entre os povos com vista à busca da verdade e do conhecimento. Estas relações sociais dominantes bloqueiam o caminho da investigação científica a um grande número de mulheres e de membros das minorias.

Um convite a um mundo radicalmente diferente

Tudo isto é totalmente inútil e poderá ser ultrapassado por uma verdadeira revolução que ponha fim a este sistema para construir uma sociedade radicalmente diferente – e muito melhor. Uma sociedade cujo objetivo é ultrapassar a opressão, a exploração e as clivagens sociais antagónicas, no quadro de um processo mundial. Um sistema económico que não se baseie na exploração humana nem na destruição do meio ambiente, um sistema político que vise a eliminação dessas divisões sociais antagónicas e a transformação radical das relações sociais e das ideias. Uma sociedade onde a ciência e o método científico façam parte integral da perspetiva e da abordagem globais para transformar o mundo.

Grupo do Manifesto Comunista Revolucionário (GMCR), Europa

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Somos um grupo em França que apoia o Novo Comunismo de Bob Avakian. Este líder revolucionário defende as revoluções comunistas do século XX ao mesmo tempo que reavalia e aprofunda as lições delas. Para veres as análises e os debates sobre este tema, bem como sobre a ciência e o meio ambiente, vai ao sítio internet revcom.us.

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Para consultares o sítio internet do movimento de resistência que luta sob as palavras de ordem “Drive Out the Trump/Pence Regime!”, acede também a refusefascism.org e ao Facebook.