Recebemos o seguinte comunicado do Colectivo de Comunistas Revolucionários (CCR):

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A intervenção do FMI é um ataque frontal ao povo português!
Não a podemos aceitar!

Manifestação do 1º de Maio de 2011


O governo português acaba de pedir a intervenção da União Europeia em Portugal, naquele que é o maior passo na entrega da economia portuguesa ao grande capital europeu. Essa intervenção, que a burguesia de uma forma despudorada tenta fazer crer-nos ser “inevitável” e uma “ajuda”, não será apenas económica mas acabará por ser sobretudo uma inaceitável ingerência política em Portugal. As políticas económicas e sociais, pelo menos da próxima década, ficarão completamente condicionadas e a capacidade de decisão do povo português será praticamente nula, se aceitarmos passivamente esta pseudo-ajuda.

A crise é inerente ao sistema capitalista

O sistema capitalista, devido ao seu carácter contraditório de se basear na apropriação privada por parte de um pequeno grupo de capitalistas dos resultados da produção social fruto do trabalho da esmagadora maioria do povo, gera sempre crises económicas que ameaçam pôr em causa a sua própria existência. Mas os grandes capitalistas há muito que sabem como resolver estas crises à custa da destruição em massa das forças produtivas: despedimentos em massa, encerramento de unidades de produção e mesmo destruição de bens produzidos. No passado, esta enorme destruição de que o grande capital necessita para resolver as crises, já chegou a implicar o desencadeamento de guerras, incluindo duas guerras mundiais.

Em Portugal, com a venda do país ao imperialismo europeu devido à adesão à união Europeia, e a subsequente destruição do sistema produtivo que abriu caminho a que Portugal se tornasse em grande parte num protectorado das maiores potências imperiais europeias, mercado forçado dos produtos alemães e franceses e reserva de mão-de-obra barata à mercê das necessidades dessas potências, a crise tem muito a ver com estes factores: impedido e produzir e obrigado a consumir bens europeus, o resultado foi um gigantesco endividamento da economia portuguesa.

A actuação dos agentes da grande burguesia no poder nas últimas décadas, permitindo e fomentando uma grande corrupção de forma a alimentarem as suas cortes e a garantirem, através da compra de favores, a expansão da sua base eleitoral, aprofundaram gravemente a situação económica do país.

Um brutal ataque ao povo português

Agora, e após ter recebido ordens directas dos grandes banqueiros portugueses, o governo português prepara-se para aceitar todos os ditames do grande capital europeu e norte-americano, aplicando um conjunto de medidas gravosas que estão a ser definidas, em particular pelo FMI. Algumas medidas do tipo das que agora se antevêem, e que têm tido o apoio explícito ou tácito de todos os representantes da burguesia, do PS ao PSD e incluindo o CDS, já vinham a ser aplicadas. O historial destas medidas e da sua aplicação pelo FMI em Portugal e noutros países é mais que conhecido e sempre desastroso: um brutal ataque aos mais pobres entre os mais pobres, os reformados e pensionistas, os desempregados, os imigrantes, os trabalhadores precários e os trabalhadores em geral.

Infelizmente, em Portugal, sobretudo devido à eficiente actuação dos partidos da esquerda reformista como o PCP e o BE, cujo principal objectivo é adormecer o povo português, fazê-lo acreditar no sistema e balizar a sua luta dentro dos limites aceites pelo sistema, a capacidade de indignação e a possibilidade de resistirmos e darmos a devida resposta a esta ataque que nos é feito, tem sido muito pequena. Há pois que denunciar estes partidos e todos os que à sua volta tentam limitar a nossa luta. E isto é agora particularmente importante pois vão tentar canalizar-nos para a arena eleitoral. As eleições são o palco ideal que a burguesia exploradora há muito encontrou para nos adormecer e nos dar a ideia de que estamos a decidir o nosso futuro. O escape eleitoral tem mostrado ser uma poderosa arma dos nossos exploradores para aceitarmos este sistema, mas sobretudo também mostrou que NUNCA foi um elemento de mudança. Destas eleições não sairá nada de bom, apenas desilusões e o reforço do nosso desencorajamento. Não votar e repudiar em massa mais esta farsa eleitoral é a única forma de mostrarmos o nosso ódio a este sistema que nos oprime e explora.

Abandonar todas as ilusões e preparar uma contra-ofensiva

Estamos perante um ataque sem precedentes e a situação que enfrentamos é extremamente grave. Há que abandonar as ilusões eleitorais, combater TODOS os partidos traidores, no governo ou na oposição, extravasar as camisas de forças da luta sindical e encontrar novas formas de luta que nos permitam responder com a mesma violência com que estamos a ser atacados. Já não basta resistir passivamente, temos que lhes dar uma resposta à altura do momento!

NÃO PERMITIREMOS MAIS ESTE ATAQUE BRUTAL!
ABAIXO O CAPITALISMO E O IMPERIALISMO!

Colectivo de Comunistas Revolucionários (CCR)

10 de Abril de 2011