Presidenciais 2011: NÃO VOTAR!

No próximo domingo, 23 de Janeiro, irá realizar-se mais uma charada eleitoral, desta vez para eleger o Presidente da República Portuguesa. Como habitualmente, a burguesia portuguesa irá decidir quem será o seu chefe máximo, aquele que irá continuar a supervisão da grande ofensiva do Capital contra o Trabalho. Nesta situação de crise do sistema capitalista, estas eleições revestem-se de alguma importância para o grande capital, que não quer ver desviada a sua trajectória de sair da crise à custa do aumento da exploração e opressão do povo português, servindo fielmente o imperialismo e o grande capital internacional.

Para estas eleições, o grande capital já optou pela manutenção de Cavaco Silva que, ao lado de Sócrates, têm sido a dupla que encabeça essa grande ofensiva e tantos bons serviços têm prestado ao imperialismo e ao grande capital. E em equipa vencedora não se mexe.

Estas eleições têm também algumas particularidades. Apesar da convergência da grande burguesia quanto à algumas das medidas a impor ao povo português, convergência essa em parte imposta pelos seus amos alemães e franceses, alguns dos seus sectores decidiram apresentar um segundo candidato na tentativa de atrair alguns sectores do povo menos satisfeitos com a actual situação e dispostos a mostrar o seu descontentamento. Manuel Alegre desempenha esse papel de atrair sectores populares para dentro do sistema, mas mantendo-o dentro do mesmo, evitando a revolta.

Curiosamente ou talvez não, o Bloco dito de Esquerda, cada vez mais social-democratizado, resolveu alinhar nessa farsa, mostrando ser cada vez mais um partido do sistema, não se envergonhando de aparecer lado a lado com o partido do governo. Outros grupos ou personalidades que por vezes ainda se dizem de esquerda, como alguns dirigentes e ex-dirigentes do PCTP, também têm aparecido colados a essa candidatura, mostrando o seu cada vez mais claro alinhamento com a burguesia.

Das outras candidaturas, e passando por fim de casos folclóricos com Defensor de Moura e José Manuel Coelho, saliente-se a candidatura de Fernando Lopes, que o PCP apresentou como «patriótica e de esquerda». Passando por cima da contradição entre ser «patriótica» e «de esquerda», é mais uma candidatura apagada do PCP com vista mais a manter as suas próprias hostes do que a mobilizar as massas para a revolta e muito menos para a revolução.

As eleições da democracia burguesa são sempre um meio que a burguesia usa para reforçar a sua ditadura de classe contra a vasta maioria do povo, oferecendo a ilusão de que as massas populares estão a escolher quem o governa, quando na realidade estão a escolher quem encabeça a sua própria opressão. Numa situação como a actual em que não há uma organização política revolucionária suficientemente forte para aproveitar este tipo de farsa e usá-la como tribuna para denunciar a natureza de classe das próprias eleições, participar nas mesmas sob qualquer forma, incluindo o simples acto de votar, apenas reforça essa ditadura da classe dominante. Argumentos como o do mal menor ou de que qualquer desvio da escolha principal do grande capital iria minimizar a opressão e seria uma vitória do povo são falaciosos porque de facto contribuir para a eleição de Alegre ou Lopes apenas servirá para se estar a escolher o carrasco que irá reforçar a nossa exploração. No dia seguinte às eleições serão sempre os grandes capitalistas e os imperialistas que tomarão as decisões realmente importantes e decidirão o rumo da sociedade.

Por isso, a única posição revolucionária consequente é NÃO VOTAR!, mostrando assim o nosso repúdio ao estado burguês e a todo o seu aparelho e mecanismos de manutenção do seu poder.

20 de Janeiro de 2011
A Redacção do Página Vermelha