Maoistas atacam fábrica da Coca-Cola na Índia
Protestos em todo o mundo contra os EUA

Por Wasbir Hussain, Associated Press
Hiderabad, Índia, 21 de Outubro de 2001

Guerrilheiros maoistas, em sinal de protesto contra os bombardeamentos aéreos ao Afeganistão, atacaram uma fábrica da Coca-Cola no sul da Índia no domingo (dia 21), fazendo explodir dinamite e causando sérios estragos nas instalações.

Noutros locais à volta do mundo, os protestos contra a campanha militar norte-americana foram mais calmos, com manifestantes a encher ruas ou aglomerando-se em mesquitas. Milhares saíram à rua em Espanha, na Tailândia, na Indonésia e noutros países.

Pelo menos uma dúzia de guerrilheiros armados do proscrito Grupo Guerra Popular (PWG) atacaram a fábrica da Coca-Cola perto da cidade de Mangalagiri no Estado do Andhra Pradesh, no sul da Índia, disse a polícia.

Os guerrilheiros cortaram o telefone e as linhas eléctricas antes de dominarem os guardas e de fazerem explodir várias zonas da fábrica com dinamite e minas terrestres.

A polícia estimou os danos em 140.000 dólares (cerca de 30 mil contos). A Coca-Cola disse que não havia feridos porque a fábrica tinha estado fechada para manutenção, mas que iria aumentar a segurança noutras fábricas.

Os atacantes deixaram um bilhete que dizia que os Estados Unidos eram o maior estado terrorista e que estavam a tentar dominar todos os outros países, segundo o chefe da polícia, A. Purnachandra Rao.

Em Espanha, mais de 15 000 manifestantes desfilaram pelo centro de Madrid cantando “Paz Sim! Guerra Não!” e transportando cartazes onde se lia: “Não ao bombardeamento de nenhum povo”.

“É horrível os Estados Unidos fazerem isto em nome da paz e da justiça, especialmente visto que eles próprios apoiaram tantas ditaduras”, disse o manifestante espanhol Enrique Abad, de 68 anos.

Cerca de 3000 muçulmanos juntaram-se na cidade de Solo, na Indonésia central, levando faixas onde se lia “Osama bin Laden é um verdadeiro santo guerreiro, não um terrorista” e “O Islão une, destruamos os infiéis norte-americanos”, disse uma testemunha.

Na Tailândia, mais que 20 000 pessoas juntaram-se em mesquitas para rezar pelo Afeganistão, com os serviços principais a acontecer em Banguecoque e nas províncias meridionais de Nakhon Sri Thammarat e Pattani.

Numa mesquita de Banguecoque, a capital tailandesa, os vendedores vendiam t-shirts vermelhas e negras, com imagens a cores de bin Laden, o principal suspeito dos ataques terroristas de 11 de Setembro nos Estados Unidos. As forças norte-americanas atacaram o Afeganistão para forçar o governo taliban a entregar bin Laden.

“Nós queremos rezar pelos nossos irmãos muçulmanos que sofrem no Afeganistão. A nossa posição é pedir a Alá que abençoe os nossos irmãos para que fiquem em segurança e sobrevivam”, disse Waewueramae Mamingji, presidente do Comité Islâmico de Pattani.

Após as orações, os organizadores emitiram uma resolução que pedia aos muçulmanos para boicotarem os bens dos Estados Unidos, de Inglaterra e da Alemanha. Também pediram aos muçulmanos para não fazerem compras em supermercados cujos donos sejam ocidentais.

Houve manifestações relativamente pequenas no Paquistão, onde o Presidente Pervez Musharraf apoia os Estados Unidos. O maior protesto aconteceu em Rawalpindi onde mais de 2.000 seguidores do partido Jamaat-e-Islami gritaram: “Bush é um cão! Musharraf é um cão!”.

Levantaram as mãos para mostrar que se tinham oferecido para a jihad, ou guerra santa, contra os Estados Unidos.

Uma multidão ligeiramente inferior protestou na cidade portuária de Carachi, que tem 12 milhões de pessoas. Na cidade fronteiriça oriental de Lahore, só cerca de 150 pessoas apareceram numa reunião.

Em Londres, pelo menos 500 manifestantes contra a guerra sentaram-se silenciosamente em frente a Downing Street, a residência oficial do primeiro-ministro britânico Tony Blair. Algumas pessoas seguravam flores brancas, enquanto outras seguravam grandes cartazes e faixas escritas com slogans contra a guerra como “Comida, não bombas”.

Na Grécia, cerca de 600 manifestantes colocaram grandes blocos de cimento na estrada que conduz à base naval da Baía de Souda, na ilha de Creta. A base está a ser usada para apoiar as forças norte-americanas perto de Afeganistão.

Cerca de 150 agentes da polícia vigiavam os manifestantes que cantavam “Fechem a base!” e gritavam insultos contra os Estados Unidos.

Em Berlim, o grupo antiglobalização ATTAC que ajudou a organizar os protestos em massa contra a reunião do G-8 em Génova em Julho, declarou no domingo que se opunha agora aos ataques norte-americanos ao Afeganistão.

“O nosso movimento contra a globalização neoliberal é agora também um movimento contra a guerra” disse o grupo numa declaração que saiu duma reunião de associados no fim-de-semana.