Todo o apoio à insurreição popular no Egipto!
C. Silva

No momento em que escrevo, o curso dos acontecimentos no Egipto é bastante incerto. Inspirado pelo sucesso da insurreição do povo tunisino, o povo egípcio saiu à rua em massa para exigir o fim da ditadura e o derrube do lacaio local do imperialismo norte-americano, o Presidente Hosni Mubarak, farto de décadas de exploração, opressão e submissão aos ditames imperialistas.

O Egipto ocupa uma posição estratégica no Médio Oriente e é fundamental para os interesses das principais potências imperialistas, como ponto de passagem de grande parte dos recursos energéticos e matérias-primas do mundo. A sua clique dominante tem também desempenhado fielmente o seu papel de peão do imperialismo como principal aliado local de Israel, cúmplice na opressão do povo palestiniano, papel esse bastante odiado pelas massas egípcias e árabes em geral.

Devido à sua importância estratégica, o imperialismo e os seus agentes regionais (em particular a Arábia Saudita) tentaram até ao fim dar todo o apoio ao odiado ditador egípcio, mesmo quando a revolta popular começava já a encher as ruas. Depois, começaram as jogadas de bastidores para tentar salvar o sistema, mesmo sacrificando lacaios como Mubarak e o seu governo, mobilizando outros peões que possam aparecer como salvadores e satisfazer parcialmente os interesses de alguns sectores da sociedade egípcia.

Mas a força da insurreição popular tem apanhado de surpresa o imperialismo e a classe dominante local. Mesmo sectores reaccionários que se têm oposto a Mubarak têm sido ultrapassados pelos acontecimentos, que mudam a cada hora que passa, sem que nenhuma dessas forças consiga ascender a uma posição hegemónica.

No entanto, como bem sabemos e como a rica e trágica experiência da história da revolução mundial nos tem ensinado, as classes dominantes não se deixam afastar do poder sem luta e esforçar-se-ão até ao último momento na defesa do seu poder. É essa a sua natureza e a natureza do seu Estado. Quer venham a recorrer a um banho de sangue (o exército egípcio é um dos maiores e mais bem treinados do Médio Oriente), quer vislumbrem uma solução mais pacífica, tudo farão para manter o seu poder. E, neste momento, a clique dominante já está a mobilizar as suas forças para um sangrento confronto nas ruas.

Infelizmente, não se vislumbra neste momento entre o movimento popular egípcio uma liderança revolucionária suficientemente forte que possa levar esta insurreição a bom porto. Essa será uma das primeiras lições a tirar deste movimento: a da necessidade de criação antecipada de um forte e bem preparado núcleo dirigente revolucionário que, numa situação de crise revolucionária como esta, possa levar o movimento até ao fim. Mesmo que as massas populares vão bastante longe e ponham em causa todo o sistema e enfraqueçam o poder de estado, o vazio de liderança poderá ser facilmente ocupado por alguns sectores da burguesia.

A boa notícia poderá ser que, qualquer que seja o desfecho mais imediato, o poder de estado fique de facto mais fraco e crie possibilidades ao trabalho revolucionário. Um poder enfraquecido abre a porta a experiências de poder popular, mesmo que limitadas, em fábricas, escolas ou mesmo em grandes aglomerados urbanos ou rurais. De qualquer forma, só o facto de as massas populares poderem viver e experimentar uma vitória num levantamento popular será sempre positiva.

É neste momento crucial que é importante mobilizarmos todas as nossas forças no apoio à insurreição popular egípcia. O mundo tem os olhos postos no Egipto e a sua vitória terá grandiosas repercussões em todo o mundo. E o povo egípcio necessita, agora mais que nunca, de todo o apoio e solidariedade que possamos mobilizar. A derrota deste movimento aprofundará ainda mais o pessimismo e a desmobilização em todo o mundo, enquanto a sua vitória poderá vir a ser a centelha que incendiará toda a pradaria.

TODO O APOIO À INSURREIÇÃO POPULAR NO EGIPTO!
DERRUBEMOS MUBARAK E TODOS OS OPRESSORES E LACAIOS DO IMPERIALISMO!

2 de Fevereiro de 2011