Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 3 de Janeiro de 2005, aworldtowinns.co.uk

Guerra popular do Nepal entra na ofensiva estratégica com violentos ataques

De um correspondente do SNUMAG no Nepal

Num momento em que a guerra popular do Nepal se aproxima do início do seu décimo ano, uma vaga contínua de acções militares iniciada a meio de Novembro estremeceu o país inteiro. Mais de uma dúzia de acções envolvendo duros combates ocorreram no mês de início do que o Partido Comunista do Nepal (Maoista) declarou ser a primeira fase da ofensiva estratégica. Essas acções militares foram ligeiramente diferentes das do passado: centraram-se em estradas principais, sedes governamentais de distrito e cidades.

Pela primeira vez, os combatentes do Exército Popular de Libertação (EPL) tiveram êxito num ataque organizado na capital do Nepal, Katmandu. A 18 de Dezembro, combatentes do 13º Batalhão da 5ª Brigada em Memória de Bethan do EPL lançaram um poderoso ataque contra um Posto Local da Polícia situado a apenas 17 km do Palácio Real, em pleno dia. Em 10 minutos, tomaram-no e capturaram 31 armas, deixando um Inspector e quatro polícias militarizados mortos. No dia seguinte, no distrito de Sindhupalchok, a 100 km a leste de Katmandu, os combatentes do 14º Batalhão da mesma brigada emboscaram uma unidade do Exército Real quando saía do seu quartel em busca de maoistas. Na dura batalha, 15 soldados do Exército Real perderam as suas vidas. O EPL capturou uma dúzia de armas sofisticadas, incluindo espingarda INSAS fornecidas pela Índia e milhares de cartuchos de munições. Três valentes combatentes deram as suas vidas por essa vitória. No mesmo dia, uma pequena unidade do 15º batalhão atacou um posto policial em Hetauda, uma cidade no Nepal oriental, e destruiu-o depois de capturar sete armas e um aparelho de comunicações.

Os representantes do Partido anunciaram que estas acções vitoriosas marcavam a primeira fase da ofensiva estratégica e o início de uma campanha no leste do Nepal, bem como noutras regiões, orientada para a tomada do poder a nível nacional de acordo com o plano estratégico do Partido.

A 22 de Dezembro, menos de uma semana depois do ataque em Katmandu, combatentes da 3ª Brigada Lisne-Gam do EPL atacaram um posto de fiscalização na estrada principal do distrito de Kailali no Nepal ocidental. A acção começou cerca das 5:15, no início da noite. Foram mortos cerca de 15 mercenários reais – como o povo lhes chama –, e outros sete saltaram para dentro do rio Karnali, o mais longo e mais largo rio do Nepal. Membros do EPL capturaram 15 armas, um aparelho de comunicações e munições. Durante o combate, os soldados do Exército Real dispararam e mataram três civis, incluindo duas crianças. Esse posto tinha sido usado no passado para cometer crimes contra o povo, incluindo assassinatos, desaparecimentos e violações.

A 15 de Dezembro, no distrito de Argakhanchi, no Nepal ocidental, uma Força Especial-Batalhão da 1ª Brigada Mangelsen lançou a emboscada com bombas de controlo remoto mais mortal de sempre, contra uma patrulha do Exército Real, deixando 25 soldados mortos. No ataque de madrugada, o EPL capturou um morteiro de 81 milímetros, espingardas automáticas, granadas, um aparelho de comunicações e muitas munições. O major que liderava o batalhão a que a patrulha pertencia foi morto. O EPL anunciou que foram feitos quatro prisioneiros de guerra.

Na semana anterior a esta acção, os combatentes da mesma brigada do EPL lançaram um ataque contra um comboio militar que viajava na principal estrada do país, em Surainaka, no oeste do país, a 7 de Dezembro, capturando muitas armas. Os comandantes do EPL declararam ter perdido quatro combatentes.

A 20 de Novembro, a Divisão Oeste do EPL obteve uma vitória derrotando um ataque surpresa da mais poderosa força do Exército Real, o Batalhão de Rangers, criado há dois anos com ajuda e aconselhamento norte-americano. Os combatentes do EPL não só derrotaram um ataque por terra e pelo ar altamente planeado, como também capturaram muitas armas sofisticadas e munições, deixando 19 rangers mortos. Outros doze ficaram feridos quando fugiam em direcção às colinas íngremes e atiravam para o lado as suas armas, mochilas e uniformes. Nesse duro combate, a Divisão Oeste do EPL perdeu nove membros, incluindo um comandante de companhia. Cinco dias antes deste encontro, o EPL derrotara um ataque de uma patrulha das tropas do Exército Real no mesmo distrito. Apesar do veículo antiminas da patrulha e do apoio aéreo, o EPL aniquilou 10 membros do Exército Real e capturou armamento. Foi morto um comandante de pelotão do EPL.

A 15 de Novembro, a 4ª Brigada em Memória de Basu emboscou um veículo do Exército Real e capturou o seu arsenal na estrada para Katmandu. O ataque às 8:15 da manhã deixou uma dúzia de soldados reais mortos, bem como o comandante de companhia do Batalhão Número 10 do EPL. Depois de capturadas as armas que transportava, o camião foi incendiado e atirado ao rio.

No dia seguinte, combatentes da 2ª Brigada Satbaria do EPL montaram uma emboscada em Khairikhola, no distrito de Banke no Nepal ocidental, matando 10 polícias armados, incluindo o Inspector da unidade. Foram destruídos dois camiões da polícia e capturadas muitas armas. No dia anterior, no mesmo distrito, foi aniquilada uma maior unidade da polícia militarizada que patrulhava a estrada principal do Nepal em busca de maoistas e mortos um inspector e três outros polícias. Nesse mesmo dia, combatentes da 6ª Brigada Solu Salleri do EPL tomaram um Posto Local da Polícia em Dhanusa, no distrito Oriental, uma vez mais capturando armas.

O Exército Real não saiu em força dos seus quartéis, embora o EPL tenha atacado importantes instalações militares perto das cidades. Por exemplo, além do ataque perto de Katmandu, os maoistas atacaram o quartel de Mangalarhi, no distrito de Surkkhet, no Nepal ocidental, a cerca de meio quilómetro da cidade.