Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 26 de Janeiro de 2009, aworldtowinns.co.uk

O texto que se segue é reproduzido do jornal Revolution/Revolución, voz do Partido Comunista Revolucionário, EUA. Um artigo mais extenso desse mesmo n.º 154 do jornal, “O sonho já se concretizou? E qual é o sonho de que realmente precisamos?”, examina a tomada de posse de Barack Obama e a sua relação com o “sonho de Martin Luther King, Jr.” (http://revcom.us/a/154/system_inaugurates-en.html em inglês ou http://revcom.us/a/154/system_inaugurates-es.html em castelhano).

O sistema empossa um novo presidente – Que irá fazer o povo?

Talvez tenham estado cerca de dois milhões de pessoas em Washington, DC para a tomada de posse de Barack Obama, e muitas pessoas concentraram-se noutras cidades de todo o país para esse momento. Se todas essas pessoas tivessem saído às ruas e enchido os lugares públicos para denunciar e resistir às políticas e aos crimes do regime Bush, as coisas no mundo seriam muito diferentes, e seria um lugar muito melhor. E aqui surge uma pergunta muito real e crucial:

O que farão todas essas pessoas à medida que for ficando cada vez mais claro que Obama está a frustrar as suas esperanças e a estilhaçar as suas ilusões de que actuará de forma a provocar a mudança que tanta gente deseja – uma mudança que seja realmente do interesse da grande maioria das pessoas, aqui e em todo o mundo?

Os governantes imperialistas dos EUA têm um novo rosto no seu sistema. Mas, pela sua natureza, eles continuarão a ser compelidos a impor todo o tipo de infernos às pessoas.

Além de abusos, degradação, sofrimento e morte diários que impõem às pessoas daqui e de todo o mundo, esses governantes têm uma crise económica que certamente resultará em muito mais sofrimento. A interminável “guerra ao terror” que Obama abraçou e cujo comando assumiu – na realidade, uma guerra pelo império – necessitará de mais “voluntários” que vão matar e morrer. Ele já disse que irá enviar mais 30 000 tropas para o Afeganistão – e usou a sua “aura” para espalhar ilusões sobre essa guerra e desmobilizar politicamente as pessoas. Essa “guerra ao terror” já resultou na morte de provavelmente um milhão de iraquianos e de milhares de pessoas no Afeganistão; e a morte e destruição em massa continuam a empurrar as pessoas para os braços das forças fundamentalistas islâmicas, as quais não oferecem nenhuma forma de alternativa positiva aos povos do mundo.

E não só a opressão dos negros NÃO será eliminada nem sequer enfrentada de qualquer forma significativa, como as coisas ficarão ainda piores. Podemos ver isso desde já. Qual o significado de alguém como James Clybourn, o principal congressista negro, dizer que com a eleição de Obama “todas as crianças perderam todas as desculpas”? Significa que não só essa opressão se vai intensificar, como que aos que serão – como sempre – as vítimas mais duramente atingidas pelo desemprego, a pobreza e a falta de tecto que esta crise trará... e aos que continuarão a ser perseguidos por um sistema genocida de “justiça” e encarceramento... lhes será agora dito que tudo isto é culpa deles – e que a supremacia branca que continua a impregnar a sociedade norte-americana apenas se tornará ainda mais cruel.

Os revolucionários devem, desde já, debater com todos os que foram apanhados pela Obama-mania, para que resistam imediata e urgentemente a esses crimes, se recusem a pôr de lado os seus melhores ideais e a “deixar isso para Obama” e que, em vez disso, façam de facto alguma coisa para resistir aos horrores que certamente surgirão, e que já estão a surgir.

Deixadas a si próprias, as decepções de amanhã das elevadas expectativas de hoje não irão automaticamente mostrar às pessoas uma forma de saída desta loucura. A desilusão com Obama, quando e se ela surgir, pode resultar numa passividade cínica ou em as pessoas abandonarem os seus melhores ideais originais como sendo “ingénuos” e “loucos”... e que se tornem apoiantes activos dos próprios crimes a que antes se tinham oposto.

Mas também é aqui que os revolucionários entram. À medida que são debatidas as grandes questões nas esquinas das ruas, nas salas de aula e nos escritórios, há uma abertura a respostas que descrevam a realidade da situação. Mesmo enquanto continuamos a ligar-nos às pessoas e a fazer avançar a resistência, temos que saltar activa e ardentemente para o debate com todos os que foram apanhados nesta Obama-mania sobre a verdadeira natureza deste sistema e o que REALMENTE é necessário para o mudar. Temos que lhes mostrar, de uma forma viva, o que quer dizer que isto é um SISTEMA. E temos que lhes fazer ver, de novo de uma forma viva, o que é que significa uma REVOLUÇÃO – uma verdadeira revolução – e qual deve ser o seu papel em tudo isto.

Num sentido estratégico, é bom que este desafio se nos apresente. Como é que alguém poderia imaginar uma revolução nos EUA que não tivesse que ir contra muitos mitos, valores e mentiras aceites que estão profundamente enraizados? Assumamos esta tarefa e levemo-la a cabo com uma compreensão materialista do que este sistema precisa de fazer às pessoas e de quão totalmente desnecessário é o sofrimento que impõe às pessoas. Saltemos para a contenda – tanto para a pela tomada do poder como para a luta pela transformação das pessoas, PELA revolução – com uma criatividade e uma confiança nascidas da nossa compreensão dialéctica de que o mundo está constantemente em mudança e de que os actos conscientes das pessoas têm nisso um efeito profundo. E entremos nisso com a verve que vem da nossa compreensão do tipo de sociedade que estamos a tentar fazer nascer e do potencial poder de atracção dessa visão.

E há uma abertura para o fazermos agora. Na actual mistura, e até ao fim deste processo em que as pessoas irão enfrentar a realidade que Obama representa, nós podemos e devemos intervir corajosa e amplamente para construir um movimento revolucionário que possa provocar a verdadeira mudança de que o mundo necessita.

Reproduzindo a pergunta crucial com que abrimos: O que farão todas essas pessoas à medida que for ficando cada vez mais claro que Obama está a frustrar as suas esperanças e a estilhaçar as suas ilusões de que ele actuará de forma a provocar a mudança que tanta gente deseja – uma mudança que seja realmente do interesse da grande maioria das pessoas, aqui e em todo o mundo?

A resposta a isto – a resposta que potencialmente mudará o mundo e será histórica a nível mundial – depende de vós.