Eleições 2009: NÃO VOTAR!

No próximo domingo, dia 7 de Junho, inicia-se em Portugal um ciclo de eleições (europeias, autárquicas e parlamentares). Estas eleições decorrerão num contexto de intensa crise económica mundial, com graves consequências, sobretudo para os mais explorados e oprimidos. Desemprego, salários em atraso, hipotecas não pagas e executadas, violentos despejos, expulsão de imigrantes do país como criminosos, tudo acompanhado de uma intensificação da repressão para impedir a resistência às medidas tomadas pela burguesia que controla a economia e o Estado.

Vivemos numa sociedade dividida em classes, em que uma classe minoritária, a burguesia, explora e oprime a imensa maioria da sociedade, sobretudo os proletários, mas também as diversas classes intermédias. Confrontada com uma crise sem precedentes, a burguesia tenta impor a sua saída para a crise, à custa de uma massiva destruição dos meios de produção: fábricas, empresas, mas também a força de trabalho, os trabalhadores que são quem realmente produz.

Controlando os mecanismos económicos, mas também todo o poder das forças repressivas do Estado (forças armadas e policiais), a classe dominante usa todos esses meios para sair da crise tentando manter a sua posição e lucros, tentando também manter sem grandes alterações o sistema económico capitalista e as formas de Estado que lhe estão associadas. Infelizmente, esta ofensiva do capital para resolver a crise a seu favor (ainda) não tem tido como resposta uma forte e organizada resistência das vastas massas exploradas e oprimidas.

É neste contexto que se realizam estas eleições. Os actos eleitorais, e os órgãos que lhe estão associados (parlamento europeu, parlamentos nacionais, autarquias locais), fazem todos parte do aparato do Estado destinado a manter o domínio do capital. As eleições são parte da campanha de intoxicação e anestesiação das massas populares para impedir que resistam e lutem por uma nova forma de sociedade, dando-lhes a ilusão que são elas que, através do voto, realmente decidem.

Mas todo este processo é de facto uma fraude há muito montada pelo grande capital para perpetuar o seu poder. No dia seguinte às eleições serão sempre os grandes capitalistas que tomarão as decisões realmente importantes e decidirão o rumo da sociedade.

Portugal não é excepção. Ao votarmos, estaremos a escolher qual o lacaio do capital que, em S. Bento, Bruxelas ou nas autarquias, irá impor o seu programa: Sócrates ou um dirigente do PSD (ambos em colaboração com Cavaco), Vital Moreira ou Paulo Rangel.

É verdade que em certas ocasiões, quando uma vanguarda revolucionária ganha forma e força suficiente, as eleições podem ser usadas para interferir nos mecanismos do poder, ou para servir de tribuna para o proletariado divulgar a sua mensagem e denunciar, de dentro do próprio poder, o seu funcionamento, propagando uma forma alternativa de sociedade, livre de exploração e opressão.

Claramente não estamos nessas condições. Participar nas eleições na actual situação é colaborar com o grande capital na sua grande mentira. Votar é entregar um cheque em branco ao grande capital. É por isso que, tal como tem vindo a fazer em eleições anteriores, a Redacção da Página Vermelha apela à abstenção e (apesar de não a integrar) tem dado o seu apoio à Plataforma Abstencionista.

Por isso, a única posição revolucionária a tomar nas diversas eleições que decorrerão nos próximos meses é NÃO VOTAR!

2 de Maio de 2009
A Redacção do Página Vermelha