Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 2 de outubro de 2017, aworldtowinns.co.uk

Das linhas da frente da batalha de Hamburgo contra o G20

Apoiantes do novo comunismo de Bob Avakian atraíram manifestantes atacados pela polícia em Hamburgo e chegaram a milhares de pessoas através de folhetos que promoviam o novo comunismo e da declaração da Recusar o Fascismo: NÃO! Em nome da humanidade, RECUSAMO.NOS a aceitar uns Estados Unidos fascistas! Afastar o regime de Trump e Pence! (Foto: Especial para o Revolution/Revolución)
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O texto que se segue é um relato de apoiantes do novo comunismo reunidos no Grupo do Manifesto Comunista Revolucionário (GMCR) na Europa que estiveram envolvidos nos massivos protestos realizados contra a cimeira do G20 em Hamburgo a 7 e 8 de julho. Esta reunião de dirigentes dos estados imperialistas mais poderosos do mundo, num tempo de crise sem precedentes a nível global, representou uma gritante afronta e um sério desafio aos povos do mundo que teve de ser enfrentada frontalmente. Foi um importante evento político numa conjuntura crucial na Europa e em todo o mundo.

Dominada pelos países imperialistas mais poderosos acompanhados por alguns reacionários notórios como Erdogan da Turquia e Modi da Índia, visou reunir os representantes dos governantes mais exploradores e opressores do mundo atual para disputarem e negociarem entre si como atacar as massas e os recursos do mundo. Mas a presença do fascista Donald Trump foi um sinal de que era mais que o habitual evento anual do G20. O surgimento do regime fascista de Trump e Pence à cabeça do país imperialista mais poderoso do mundo tem dramáticas implicações para as pessoas em todo o lado. As mesmas contradições profundas que conduziram à instalação do regime de Trump nos EUA também estão a trabalhar em toda a Europa, alimentando o racismo, a xenofobia, a misoginia e um ambiente político mais repressivo. Esta viragem à direita por parte dos governantes está a ter expressão no crescimento de movimentos fascistas em todo o mundo, incluindo a possibilidade de regimes fascistas também na Europa, mesmo em países como a Alemanha e a França onde a ditadura da classe capitalista há muito tempo que é exercida sob a forma de regimes social-democratas.

O significado desta cimeira do G20 pedia algo para além dos protestos do costume. Estava previsto que muitas dezenas de milhares de pessoas vindas da Alemanha, de outros países europeus e mesmo de fora da Europa participassem nos quatro dias de protestos contra a cimeira e tudo aquilo que ela representa, unidos na oposição a alguns dos aspectos mais brutais daquilo que o sistema capitalista-imperialista impõe diariamente às pessoas. Era claro que entre aqueles que estiveram presentes haveria um grande espectro de pessoas que reconhecia, de uma maneira ou de outra, a necessidade de nos libertarmos do próprio sistema capitalista, incluindo alguns que estariam à procura de uma alternativa revolucionária. Toda esta resistência e oposição foi extremamente importante. Ao mesmo tempo, é um facto que a impiedosa dominação e exploração da esmagadora maioria dos povos e nações deste planeta por um punhado de países ricos continuará enquanto existir este sistema capitalista-imperialista. É uma dolorosa atribuição de culpa à natureza criminosa e desumana deste sistema que, num mundo onde as necessidades básicas da humanidade já poderiam ter sido resolvidas, o sofrimento, a miséria e a ignorância persigam vastas extensões da paisagem humana.

No palco instalado em Hamburgo, o regime fascista de Trump e Pence estava a receber as boas-vindas oficiais e ser-lhe dada legitimação pelos restantes chefes de estado, ao mesmo tempo que aguçava os apetites e alimentava a concorrência de outros imperialistas, com a alemã Merkel a aproveitar a ocasião para afirmar energicamente as ambições da Alemanha a um maior papel na gestão do mundo. Tudo isto atribuía responsabilidades urgentes àqueles que compreenderam isto para que incrementassem enormemente a luta contra esta ordem mundial capitalista devoradora de vidas.

Os comunistas revolucionários participaram no planeamento das atividades em Hamburgo e em Berlim para preparar os protestos anti-Cimeira do G20 muitos meses antes do evento e desenvolveram uma compreensão das características que moldavam o terreno político e a natureza e a linha das forças que desejavam protestar contra a cimeira. O Grupo do Manifesto Comunista Revolucionário na Europa, constituído por apoiantes do novo comunismo desenvolvido por Bob Avakian, apelou a uma mobilização total para participar.

Entre os camaradas que participaram havia uma firme compreensão da necessidade de divulgar corajosamente a necessidade e o desejo da revolução comunista e a importância de promover o arquiteto da nova síntese do comunismo, Bob Avakian. Com este objetivo em mente, os camaradas debateram como isto poderia ser feito em relação às principais questões que as massas que vinham a Hamburgo iriam levantar. A questão que se tornou num foco mais agudo foi: Que tipo de trabalho desenvolver entre as massas? Qual a relação entre as lutas parciais e as exigências particulares (por exemplo, “expulsar o regime fascista de Trump”) e a tarefa global de preparar a revolução proletária? Como fazemos avançar ainda mais o trabalho comunista de propagar e lutar pela nova síntese nestas circunstâncias? A abordagem política em torno da qual se uniram os apoiantes do GMCR e outras pessoas ficou refletida nas palavras de ordem adotadas para um dos principais folhetos maciçamente distribuídos em alemão e inglês: “Combater a Cimeira do G20 de Exploradores, Assassinos em Massa e Promotores da Guerra! Ajudar a Expulsar o Regime Fascista de Trump e Pence! A Humanidade Precisa da Revolução e do Novo Comunismo!”

Durante a última parte de junho foram realizadas duas reuniões públicas, em Hamburgo e posteriormente em Berlim, para discutir “O regime de Trump, a viragem à direita na Europa e o perigo do fascismo”, como parte dos preparativos para os protestos contra o G20. Embora o número de pessoas presente nessas reuniões públicas não tenha sido grande, mesmo assim elas ajudaram a mostrar a urgência de se chegar completamente a acordo sobre os perigos colocados pelo regime fascista de Trump e Pence, tornando isto parte da discussão política atual tão amplamente quanto possível e organizando as pessoas para lutarem com base nesta compreensão. Cartazes com as palavras de ordem “NÃO! Em Nome da Humanidade, Recusamo-nos a Aceitar Uns Estados Unidos Fascistas!” e “Expulsar o Regime de Trump e Pence!” em vários idiomas apareceram nas paredes de zonas de Hamburgo conhecidas pela concentração de jovens e pessoas de orientação radical. Os camaradas foram convidados a fazer apresentações dos pontos de vista deles em eventos radicais de rua. Foram amplamente distribuídos em grande número vários folhetos diferentes sobre tópicos como a crise migratória e “Das Trump Regime, der Rechtsruck in Europa und die Gefahr des Faschismus” [“O Regime de Trump, a Viragem à Direita na Europa e o Perigo do Fascismo”].

Durante os tumultuosos dias dos protestos contra o G20, a forte presença, determinação e visibilidade de uma força claramente multinacional, com t-shirts com a frase de Avakian “Revolução e Nada Menos” e panos com os três slogans em diferentes idiomas tornaram-se numa característica reconhecível em todas as principais manifestações. Foram distribuídos mais de 20 mil folhetos e, quanto ao essencial, eles foram entusiasticamente recebidos. Muitas pessoas curiosas em saber quem eram os apoiantes do GMCR e o que eles estavam a defender foram apresentadas à revolução comunista e à existência da linha, da liderança e da estratégia para a luta para a transformar numa revolução concreta. Várias centenas de cópias de um folheto publicado pelo Partido Comunista Revolucionário, EUA, Como Podemos Vencer: Como Podemos Realmente Fazer a Revolução, foram levadas por aqueles que estavam desejosos de confirmar como poderia ser preparada uma revolução e como poderia ser vitoriosa de facto num país como os Estados Unidos. O contingente estava a unir-se aos setores mais radicais dos manifestantes e a encorajá-los, ao mesmo tempo que se empenhava em promover o comunismo revolucionário como um verdadeiro polo de atração no terreno dos protestos anti-G20. Houve muitas discussões sobre o significado crucial do desenvolvimento por parte de Avakian da teoria da revolução comunista para um nível mais elevado e mais científico e da importância decisiva disto para resolver os problemas de preparar, fazer e levar avante uma revolução concreta que vise a eliminação mundial de todas as formas de exploração e opressão e dos comportamentos e maneiras de pensar que neles se baseiam.

Um importante exemplo de como esta postura foi traduzida em ação ocorreu na manifestação do final da tarde de 6 de julho intitulada “Bem-vindo ao Inferno” que juntou uma variedade de forças em torno dos anarquistas do “black bloc” [bloco negro] e de outros jovens rebeldes que a tinham convocado. (Trump tinha chamado anteriormente “inferno” aos bairros de imigrantes das grandes cidades da Europa.) A polícia de choque atacou a linha da frente constituída por uma centenas de combatentes do black bloc devido à proclamada intenção deles de paralisarem o G20. Na luta que daí resultou, os ativistas do GMCR conseguiram erguer com êxito os seus panos revolucionários que serviram para reagrupar e liderar várias centenas de manifestantes para que continuassem a marchar pela cidade. Isto foi possível devido à postura e à determinação revolucionárias do grupo em relação à compreensão política que estava a propagar, e porque assumiu a responsabilidade de construir uma unidade tão ampla quanto possível entre aqueles que se opunham ao sistema, apesar da influência do profundo anticomunismo da liderança do black bloc entre muitos deles. Em geral, poderia dizer-se que a semana de protestos anti-G20 não teria sido a mesma sem a presença e a luta determinadas dos ativistas do GMCR.

A criminalidade deste sistema está a tornar-se rapidamente mais clara e inaceitável para milhões de pessoas e muitas estão mesmo a questionar a legitimidade deste sistema, e a necessidade e possibilidade de uma revolução concreta precisa urgentemente de se tornar no foco de atenção das forças avançadas. Em resposta a estes protestos, o governo de Merkel mobilizou um leque de forças massivo e deliberadamente intimidatório, o qual incluiu 23 helicópteros e 32 dos maiores canhões de água do mundo. O Bundestag, o parlamento da Alemanha, está agora a discutir a possibilidade de aprovar medidas abertamente de estado policial para acabar com este tipo de protestos no futuro, incluindo medidas de controlo eletrónico para forçar os potenciais manifestantes a ficarem em casa, e aumentou massivamente a videovigilância. Tudo isto é uma indicação de que mesmo o regime essencialmente social-democrata da Europa pretende e é compelido a acelerar a viragem à direita apesar da crescente oposição. Irão surgir certamente batalhas em torno de questões cruciais como a imigração e a necessidade de ajudar a expulsar o regime de Trump e Pence. Ao se juntarem a estas batalhas, ao fortalecê-las e acima de tudo ao divulgarem a possibilidade de um mundo completamente diferente, as forças comunistas embrionárias de hoje podem começar a transformar-se a si mesmas e à paisagem política.