Acordo nuclear EUA/Irão: “Os EUA precisam da ajuda do Irão no Médio Oriente”

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 27 de Julho de 2015, aworldtowinns.co.uk

O seguinte texto é constituído por excertos de um artigo que surgiu na edição n.º 72 do Haghighat, órgão do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista).

Não há dúvida nenhuma que o acordo nuclear entre seis potências mundiais e o Irão é um importante evento na história da diplomacia imperialista. Ambos os lados chamaram-lhe “vitória diplomática” porque atingiram os seus objectivos de política externa através de negociações e sem guerra. Mas esta “diplomacia” tem uma história sangrenta e violenta na região.

Ela foi tornada possível ao longo de mais de uma década de guerras de agressão por parte dos EUA e dos seus aliados ocidentais no Médio Oriente, do colapso da sociedade civil no Afeganistão, no Iraque e na Síria e da expansão dos EUA para novas zonas, com novas guerras e massacres horrendos, alguns deles levados a cabo com a participação da República Islâmica do Irão. Os seus resultados incluem a deslocação de milhões de pessoas, a destruição de ecossistemas e economias locais, o surgimento de senhores da guerra islâmicos, o aumento do tráfico humano e de crimes literalmente incontáveis.

Este acordo diplomático foi tornado possível devido às sanções económicas das quais o povo iraniano pagou o preço, e não os centros políticos e financeiros da República Islâmica do Irão, que ficaram ainda mais ricos devido a elas. Claro que este acordo não pode e não visa acabar com estes horrores. É apenas um novo capítulo nos crimes das potências imperialistas e da República Islâmica do Irão na região.

De facto, o imperialismo norte-americano renunciou ao seu objectivo de provocar uma “mudança de regime” no Irão através da guerra e mudou o Irão da sua lista de ”inimigos” para a sua lista de “concorrentes”. Obama comparou esta mudança de abordagem à visita de 1972 de Nixon à China e às negociações de Reagan com a União Soviética em 1986. A República Islâmica do Irão [RII] deu um passo atrás na sua campanha internacional e interna contra os EUA e por isso abandonou um dos pilares da sua identidade ideológica. O objectivo de longo prazo do regime com esta mudança é tornar-se uma potência regional com o apoio dos EUA e outras grandes potências. O imperialismo norte-americano está a tentar trazer uma ordem relativa ao caos no Médio Oriente e tem a esperança de que a RII o irá ajudar.

As necessidades e contradições que impelem o Irão a normalizar as relações com os EUA

Todas estas negociações, o acordo nuclear e, em geral, o novo capítulo nas relações entre a República Islâmica e as potências imperialistas, e em particular os EUA, surgem como resposta a um conjunto de contradições e necessidades enfrentadas pelos dirigentes da RII e pelos servidores do sistema. Mas apenas porque resulta de necessidades não significa necessariamente que venha a ter sucesso. A possibilidade do seu colapso já é perceptível. Todo o processo de alcançar um acordo pode chegar a um beco sem saída sob a pressão da oposição nos EUA, de Israel e da Arábia Saudita. Com esta introdução, podemos examinar as necessidades que impeliram os dois lados, e em particular o Irão, a adoptar esta política.

Em primeiro lugar: sob a RII, a economia capitalista do Irão abrandou e criou um enorme número de jovens desempregados, uma gigantesca população de trabalhadores temporários e um encolher da classe média. As sanções económicas apenas intensificaram esta situação que é o mais perigoso problema político interno da RII. O aparecimento desta enorme população de jovens educados desempregados e a entrada das mulheres nas áreas económicas, sociais e educacionais geraram uma grande energia que a República Islâmica do Irão não consegue controlar. O regime reagiu a estes perigos e contradições com uma sangrenta repressão dos estratos mais baixos da sociedade. Isto pode ser visto na elevada taxa de execuções de jovens pobres, na repressão dos intelectuais e das mulheres e na expansão do medo entre as classes médias. Mas nenhum estado pode governar e manter uma sociedade sob o seu regime apenas através da lavagem cerebral ideológica e da repressão.

Por isso, a República Islâmica do Irão precisa de resolver esta contradição. Como o funcionamento do sistema económico do Irão depende do capitalismo mundial, a única solução do regime é a injecção de mais capital internacional na economia. De facto, o objectivo das sanções económicas das potências imperialistas, que dominam a economia global e as suas instituições, foi colocar a RII de joelhos na arena política.

Em segundo lugar: A composição da classe capitalista no Irão tem mudado em resultado do crescimento das relações capitalistas, mesmo quando comparada com há vinte anos. Ela desenvolveu diferentes camadas e poderosos centros económicos com vários circuitos de produção e relações globais. À medida que o Irão foi ficando mais integrado no capitalismo global, formaram-se diferentes camadas da burguesia iraniana cuja órbita de acumulação de capital se situa não apenas dentro do Irão mas também tem uma dimensão internacional.

Além dos centros de poder como os Sepah Pasdaran (Guardas Revolucionários), os vários ministérios, as várias elites e as várias fundações do regime, houve outros que se tornaram poderosos através das suas relações internacionais e de parcerias com investidores iranianos na América do Norte e na Europa. Todos eles exercem influência política a vários níveis através de diferentes meios e beneficiam de uma espécie de rendimento político que lhes permite tornarem-se maiores. Mas obter um rendimento não é suficiente para este tipo de burguesia iraniana se desenvolver e competir no mercado global. Eles estão a tentar tornarem-se investidores “normais” e ligarem-se ao mercado global de uma forma legal e aberta. Uma parte muito importante dos interesses deles depende do acordo nuclear e do levantamento das sanções financeiras, petrolíferas e bancárias.

Actualmente, as políticas económicas externas e neoliberais do Presidente [iraniano] Rohani e dos tecnocratas estatais dele representam os interesses comuns de diferentes camadas de grandes investidores. Uma parte dos grandes capitalistas (e dos tecnocratas que deles dependem) não gosta do regime teocrático que governa o Irão, mas isto não significa que eles estejam contra o líder do Irão, Ali Khamenei, ou contra os Sepah e outras forças militares e de segurança da RII. Eles estão preocupados com as sérias mudanças demográficas na sociedade iraniana e estão conscientes da necessidade de aplicação de uma versão “moderada” da lei da Xariá, em particular no caso das mulheres e dos jovens.

Dado que as condições geradas pela economia neoliberal globalizada fazem aumentar as forças centrífugas que causam desintegrações sociais, eles consideram a Xariá e a islamização necessárias à estabilidade social necessária às operações lucrativas do capitalismo e à criação de uma força de trabalho obediente. Eles também precisam do “líder” para unificar o governo/estado e as diferentes facções do regime. O Ministro dos Negócios Estrangeiros Mohammad Javad Zarif referiu-se constantemente ao líder e seguiu cuidadosamente os rituais do Ramadão durante a estadia da equipa dele em Viena. Isto serviu não só para responder à fúria e às queixas de forças “fundamentalistas” sobre as negociações com o “Grande Satanás” e ao que elas consideram ser o abandono de um dos pilares ideológicos da RII. Também aconteceu porque Zarif e os outros realmente acreditam profundamente nos valores, nas normas e na ideologia do regime.

Em terceiro lugar: A insegurança no agitado Médio Oriente foi outra necessidade que convenceu as diferentes facções da RII de que construírem uma “região segura” é essencial para estabelecerem relações oficiais e cooperação com os imperialistas norte-americanos. Rohani expressou esta preocupação quando falou na Assembleia-Geral da ONU a seguir às eleições presidenciais no Irão.

Nas condições actuais, em que a hegemonia imperialista norte-americana tem diminuído e nenhuma outra grande potência está pronta a substitui-la na protecção da ordem global, a RII tem de aceitar a liderança norte-americana no fornecimento da segurança regional. A República Islâmica do Irão não se sente ameaçada apenas pelo Daesh (também conhecido como ISIS). Dado que outros países da região como a Turquia, a Arábia Saudita e o Egipto não obedecem aos EUA, e o regime iraniano não os pode confrontar sozinho, tem de confiar nos EUA. A RII não só quer que os EUA fiquem no Médio Oriente, como também acredita que a sua segurança regional depende da capacidade dos EUA imporem alguma ordem no caos crescente.

Os aliados estratégicos do regime na região, como a Síria, o Hezbollah no Líbano e as forças xiitas no Iraque, estão sob pressão e enfrentam vários perigos. O crescente número de vítimas entre a Força Quds (uma unidade de forças especiais dos Guardas Revolucionários do Irão responsável pelas suas operações extraterritoriais), o Hezbollah e outros apoiantes da RII, e o surgimento do Daesh e outras forças salafistas também ameaçam a posição do Irão. Neste contexto, a RII precisa de encontrar urgentemente uma solução, mesmo que essa solução signifique aliar-se abertamente ao “Grande Satanás”.

Conseguirá a RII satisfazer as suas necessidades de segurança interna e externa com esta solução?

O regime iraniano enfrenta três importantes obstáculos internacionais no caminho para a normalização de relações com o Ocidente.

Primeiro, uma parte importante da classe dominante norte-americana, incluindo a maioria dos Republicanos, recusa-se a reconhecer oficialmente a República Islâmica do Irão e continua a vê-la como uma séria força anti-EUA. Israel é um aliado próximo dos Republicanos na oposição ao acordo e considera que a existência da RII é perturbadora da sua segurança. Isto é uma referência às dezenas de milhares de mísseis que o Irão tem fornecido ao exército sírio, ao Hezbollah no Líbano e ao Hamas na Faixa de Gaza.

Em segundo lugar, alguns países do Golfo como a Arábia Saudita vêem o Irão como seu inimigo e uma ameaça à sua segurança. Eles alegam que as actividades militares, políticas e de propaganda do Irão no Iraque, na Síria, no Barém e no Iémen vão contra os seus interesses. Actualmente, as empresas militares norte-americanas estão a armar Israel e a Arábia Saudita de forma a aumentarem as suas defesas contra qualquer ameaça iraniana. A Casa Branca prometeu à Arábia Saudita que fortaleceria as capacidades dela e tem posto pressão sobre o Irão para não criar caos na região (i.e., a ajuda do Irão ao Hezbollah, a Bashar al-Assad, ao governo iraquiano e aos houthis no Iémen).

Em terceiro lugar: o Irão também tem estado próximo da Rússia, da perspectiva dos EUA. De facto, até muito tarde na presidência de Ahmadinejad, a RII considerou-se a si mesma como parte de um “Eixo de Resistência” – que incluía o Irão, a Síria, o Hezbollah, o Hamas e a Venezuela – contra os interesses norte-americanos no Médio Oriente e noutras partes do mundo. Portanto, os EUA consideram importante romper as ligações entre o Irão e a Rússia.

Obama provavelmente conseguirá ultrapassar os “lóbis” israelita e saudita e os esforços dos legisladores norte-americanos para sabotarem este acordo. Então ele irá pressionar o Irão a tornar-se um membro “aceitável” e “honrado” da estrutura de segurança do Médio Oriente sob a hegemonia dos EUA, em cooperação com a Arábia Saudita, a Turquia e mesmo Israel. Neste processo, haverá indubitavelmente um aumento dos conflitos no interior da classe dominante da RII. A competição com outras potências imperialistas, como a China, a Rússia e a Europa, irá intensificar-se à medida que elas tentam expandir a sua própria influência no Médio Oriente e no Irão. Em todo o caso, as guerras no Médio Oriente – guerras em que as forças armadas da RII têm desempenhado um papel importante – irão expandir-se.

Não há dúvida que a libertação das reservas de divisas estrangeiras do Irão e o levantamento das sanções económicas irão trazer alguma prosperidade ao comércio externo (importação e exportação) e aos projectos de infra-estruturas, o fortalecimento do mercado de valores e mesmo o restabelecimento da indústria automóvel estrangeira e de empresas de perfuração de petróleo no Irão, mas em geral a economia do Irão não gerará a criação de muitos postos de trabalho. A RII tem de gastar uma grande parte das suas receitas petrolíferas na expansão do seu poderio militar, porque a região se irá tornar ainda mais militarizada. Como a insegurança na região se irá manter, o capital estrangeiro irá fluir para o Irão mas os investimentos tenderão a ser temporários e a concentrarem-se em áreas financeiros e em sectores de rentabilidade de curto prazo. O desenvolvimento económico futuro provavelmente irá fornecer poucos empregos à vasta maioria dos jovens desempregados, deixando inalterada a miséria da existência marginal e dos bairros de lata. A maior força potencial para o desenvolvimento económico são os milhões de jovens e velhos trabalhadores da sociedade. Com ou sem sanções, o funcionamento do sistema económico sob a RII tem desperdiçado este potencial. O levantamento das sanções não irá alterar a lógica do sistema económico; pelo contrário, o seu funcionamento será ainda mais brutal.

Manter a coerência e a unidade interna é um dos desafios mais sérios com que a classe dominante do Irão se irá confrontar. As maiores contradições e conflitos no interior do governo irão fluir desta questão – como manter a unidade da sua elite, a legitimidade do regime e a estabilidade interna, em vez de o acordo por si e em si mesmo. Ainda que o regime tente convencer os seus apoiantes internos de que não está a estabelecer relações oficiais com os EUA numa posição de fraqueza e de que o acordo satisfaz os interesses do regime no seu confronto com o Daesh e a Arábia Saudita, várias contradições internas e externas poderão fazer com que os benefícios do acordo sejam de muito curta duração. A RII poderá vir a descobrir-se atolada no pântano das guerras do Médio Oriente e a enfrentar uma crise de legitimidade, desespero e depressão entre os seus apoiantes e o Hezbollah, e crescentes conflitos no interior da própria classe dominante.

As necessidades que levaram os EUA a estabelecerem relações com a RII

O projecto de “mudança de regime” no Irão que o Presidente George Bush prosseguiu foi posto de lado quando Obama se tornou presidente, mas um ataque militar ficou “na mesa” como opção. Esta mudança de política esteve relacionada com a situação do imperialismo no mundo. Em 2013, Zbigniew Brzezinski, um importante teórico de política externa durante as últimas décadas e membro do Partido Democrático, avisou que os EUA já não podiam ser o polícia do mundo e que nenhuma outra potência poderia tomar o lugar dos EUA. Ele analisou que a perda de poder dos EUA iria afectar negativamente todas as potências mundiais e que o seu provável resultado não seria um acontecimento como a ascensão da China mas sim um longo período de caos e uma corrida para forjar unidades entre as potências mundiais e regionais. “O mais provável será uma fase protegida de realinhamentos bastante inconclusivos e algo caóticos tanto de potências globais como regionais, sem grandes vencedores e com muitos mais perdedores.” (Zbigniew Brzezinski, Strategic Vision: America and the Crisis of  Global Power [Visão Estratégica: A América e a Crise Global de Poder], Basic Books, 2013).

Brzezinski mencionou vários factores no declínio do poder global dos EUA: problemas económicos, problemas políticos e uma política externa errada de iniciar guerras desnecessárias e caras no Iraque. Acrescentou que a crise se tornou mais visível com “o emergir de um fenómeno volátil: o despertar de populações até recentemente politicamente inactivas ou reprimidas”. Neste contexto, ele e outros colegas sugeriram a Obama que o estado parasse de tentar obter uma “mudança de regime” no Irão e que, em vez disso, abrisse as portas do Irão através da diplomacia. A situação que Brzezinski descreveu nessa altura está a tornar-se mais séria. Um senador democrata descreveu a situação dos EUA no Iraque com estas palavras: “Se 100 mil soldados norte-americanos num período de dez anos não conseguiram treinar um exército que não fugisse face ao Daesh, o que é que esperamos de alguns milhares? Nós não temos nenhuma força efectiva para além dos nossos aliados curdos.” (Brookings Debate, "The question at hand: Should the U.S. put boots on the ground to fight ISIS" [Debate Brookings: “A questão do momento: Devem os EUA colocar botas no terreno para combater o ISIS?”], 24 de Junho de 2015)

Segundo um especialista norte-americano em política externa que escrevia sobre um acordo nuclear com o Irão: “Mesmo aqui, as verdadeiras questões não são as da proliferação regional que têm dominado a discussão desta questão até à data, mas as guerras civis e por procuração que actualmente assolam o Médio Oriente, e o provável papel dos Estados Unidos na região após um acordo nuclear com o Irão. São estas questões que provavelmente irão determinar se um acordo nuclear com o Irão irá conduzir a uma maior estabilidade ou a uma maior instabilidade no Médio Oriente, e portanto se isso irá, em última análise, beneficiar ou debilitar a segurança nacional norte-americana.” (Kenneth M. Pollack, "Regional implications of a nuclear agreement with Iran" [“Implicações regionais de um acordo nuclear com o Irão”, Brookings Institute, 9 de Julho de 2015)

As necessidades que atraem outras potências munidas para este acordo

Numa entrevista a Thomas Friedman, Obama exprimiu espanto pelo “papel positivo” desempenhado pela Rússia nas conversações nucleares. (The New York Times, 5 de Abril de 2015). Mas de facto isso não é surpreendente porque a Rússia e outras potências mundiais também têm de lidar com o crescente caos no Médio Oriente e precisam do estabelecimento de uma ordem relativa. O salto para o caos global tomou a Rússia de surpresa e, neste contexto, a sua fraqueza como grande potência imperialista tornou-se mais clara. Em especial, o seu plano estratégico de estabelecer alianças com potências europeias desmoronou-se durante a guerra na Ucrânia. Ao analisar a situação da Rússia, o autor de A Rússia e a Ordem Global em Mudança escreveu: “Temos visto não só um declínio dos Estados Unidos, em termos relativos, mas eu alegaria que um declínio de todas as grandes potências, com a excepção parcial da China. A capacidade de liderar delas está muito diminuída, e mesmo o mais fraco dos estados tem uma liberdade de manobra sem precedentes. [...] As pessoas falam sobre o fim da liderança, ou declínio da liderança dos EUA, mas de certa forma o problema é mais vasto. Nós estamos a ver o fim do seguidismo; ninguém quer obedecer, ninguém quer seguir, todos querem fazer as suas próprias coisas. [...] Ora, nós tendemos naturalmente a pensar que isto significa o fim do universalismo liberal ocidental. Mas também tem fortes implicações para a Rússia.” (Bono Lo, Russia and the Shifting Global Order [A Rússia e a Ordem Global em Mudança], Chatham House, 8 de Julho de 2015)

É esta a situação para as potências mundiais. Apesar da séria competição entre esses exploradores dos sete mil milhões de seres humanos do mundo, e em condições em que nenhuma potência consegue suplantar os EUA como polícia global, todas as potências cederam esse lugar novamente aos EUA. O facto de a superpotência mundial estar agora à procura de um aliado na República Islâmica do Irão para criar uma nova estrutura de segurança no Médio Oriente mostra o quão profundamente o sistema capitalista-imperialista internacional está em crise.

As potências mundiais olham para o acordo nuclear como um passo para estabelecerem uma nova ordem na região mais agitada do globo. Mas onde há uma vontade, nem sempre há um caminho. O mapa de George Bush para um “Grande Médio Oriente” afogou-se no sangrento pântano criado pelas guerras norte-americanas no Médio Oriente e, agora, deste pântano emergiram forças como o Daesh e guerras por procuração. A “doutrina Obama” irá ampliar este pântano – continuará a ser a mesma situação mesmo que haja novos jogadores. É este o enquadramento geral que emoldura os principais objectivos do acordo nuclear.

O regime teocrático está sob ataque de todos os lados. Essas potências que irão ajudar este regime estão elas próprias atoladas em crises e as fileiras delas estão num caos. Esta crise generalizada dos seus inimigos é uma oportunidade para os oprimidos fazerem uma revolução. Derrubar a República Islâmica do Irão e substitui-la por um estado e uma sociedade qualitativamente diferentes não só é necessário como também possível. É nosso dever iniciar um movimento pela revolução entre os operários e os desempregados do país, incluindo os afegãos, os curdos, os turcos, os persas, os baluchis, os árabes e os turcomanos. Devemos lutar unidos sob a bandeira do internacionalismo proletário para emancipar não só o povo do Irão mas também o proletariado e os povos do Médio Oriente e toda a humanidade do sistema de exploração e opressão capitalista.