Acordo EUA-Irão: Uma grande movimentação estratégica em resposta a necessidades instáveis de ambos os lados

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 20 de Abril de 2015, aworldtowinns.co.uk

O seguinte texto é uma versão abreviada do artigo “Nem veneno nem antídoto” que será publicado no Haghighat, órgão do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista).

O acordo nuclear entre os EUA e outras vorazes potências mundiais (Rússia, China, Grã-Bretanha, Alemanha e França) por um lado, e o Irão por outro, é um acontecimento importante. Mesmo que eles não cheguem a nenhum acordo final sobre as questões do programa nuclear, abriu um novo capítulo nas relações entre o Irão e os EUA ao fim de 36 anos. O fim deste capítulo continua a não estar escrito e os resultados finais não são previsíveis, mas é crucial compreender que este acordo não altera a natureza nem da República Islâmica do Irão nem dos EUA. Este acordo e as novas relações entre eles não servem os interesses de curto e longo prazo dos povos do Irão e do Médio Oriente, mas é provável que traga novos horrores aos povos dessa região.

As condições que conduziram a esta mudança estratégica

A comunicação social tem sido preenchida com detalhes deste acordo, mas nas suas publicações de política de segurança, os arquitectos deste acordo dizem explicitamente que eles realmente não interessam. O que interessa é o próprio acordo. (Ver, por exemplo, Jeremy Shapiro, “Why the details of the Iran deal don't mater” [“Porque é que os detalhes do acordo com o Irão não interessam”], http://www.brookings.edu/blogs/order-from-chaos/posts/2015/04/07-iran-deal-details-shapiro.) De facto, a parte mais importante deste acordo é a institucionalização de um processo cujo objectivo é forçar a República Islâmica do Irão a entrar em relações diplomáticas, políticas e mesmo, ou sobretudo, militares mais próximas com os EUA (como já é o caso, por exemplo, no Iraque e, de alguma forma, na Síria).

Isto é sobretudo o resultado de uma mudança na abordagem estratégica dos EUA à República Islâmica. A política dos Estados Unidos mudou de tentar marginalizar e isolar o Irão com o objectivo de uma “mudança de regime” para tentar integrar o Irão na cadeia de estruturas políticas que asseguram o domínio norte-americano no Médio Oriente. A normalização de relações com a República Islâmica do Irão é uma parte crucial da nova abordagem dos EUA ao Médio Oriente que alguns analistas chamam a “Doutrina Obama”.

O Presidente Barack Obama explicou a “doutrina” dele numa entrevista a Thomas Friedman no jornal The New York Times de 5 de Abril de 2015: “Eu tenho sido muito claro que o Irão não irá obter uma arma nuclear no meu mandato, e penso que eles deveriam compreender que nós queremos mesmo dizer isto. Mas eu digo isto esperando que possamos concluir este acordo diplomático – e que isto inicie uma nova era nas relações americano-iranianas – e, tão importante como isto, com o passar do tempo, uma nova era nas relações do Irão com os seus vizinhos.”

Esta política tem vindo a ser desenvolvida em resposta aos conflitos e desafios que os EUA estão a enfrentar no mundo e especialmente no Médio Oriente. O colapso e caos acelerado das estruturas políticas do Médio Oriente, a expansão do Daesh (ISIS) no Iraque e na Síria e o reaparecimento da Al-Qaeda, a perspectiva já não inconcebível de as forças do Daesh chegarem à fronteira da Jordânia com Israel, a possibilidade de uma guerra civil na Arábia Saudita, a crescente influência da China e da Rússia no Médio Oriente e Norte de África e, ainda mais, a nível global – todos estes factores têm forçado os EUA a tentarem chegar a algum tipo de relação funcional com a República Islâmica do Irão.

O influente colunista Roger Cohen escreveu no The New York Times de 6 de Abril de 2015: “O Presidente Obama, através da corajosa persistência dele, mudou a dinâmica estratégica no Médio Oriente. Ao mesmo tempo que reassegura aliados preocupados, especialmente Israel e a Arábia Saudita, também tem dado sinais de que os Estados Unidos irão defender o seu interesse nacional, mesmo face a críticas ferozes, onde a lógica desse interesse é irrefutável. Ao bloquear o caminho do Irão para uma bomba, evitando mais uma guerra com um país muçulmano, e restabelecendo contactos diplomáticos com uma potência estável hostil aos carniceiros do Estado Islâmico equivale a um forte argumento para uma América que enfrenta uma ordem fragmentada no Médio Oriente.”

Tal como diz Cohen, parte do que é tentador para os EUA atraírem o Irão a defender a estrutura do seu domínio num Médio Oriente cada vez mais instável é a própria estabilidade relativa do regime iraniano, o seu sucesso na repressão política e social e na farsa eleitoral e a coerência de diferentes grupos dentro do governo do Irão. Na entrevista a Friedman, Obama deixou claro que o risco de haver estados a colapsar no Médio Oriente e, com isso, a perda do controlo norte-americano, é o que está por trás da necessidade de adoptar uma nova abordagem à República Islâmica. Diz ele; “Neste momento, os interesses centrais dos EUA na região não são o petróleo, não são territoriais. [...] Os nossos interesses, neste sentido, são realmente garantir que a região está a funcionar. E se está a funcionar bem, então nós estaremos bem. E isso vai ser um grande projecto, dado o que está a acontecer, mas eu penso que isto [o acordo enquadrador com o Irão] é pelo menos um começo.” [O que Obama quer dizer com “a região está a funcionar” é a preservação da actual situação dominada pelos EUA,]

Os conflitos dentro da classe dominante norte-americana

Os analistas pró-imperialistas ocidentais dizem que este acordo irá enfrentar desafios mais poderosos dentro da classe dominante norte-americana que dentro do Irão. O programa nuclear, em si mesmo e nos seus detalhes, não é o tema destes conflitos políticos. Os opositores ao acordo acreditam que esta mudança estratégica em relação ao Irão irá dividir a hierarquia regional de poder. Por exemplo, o anteriormente citado Shapiro, um membro da equipa de planeamento político de Departamento de Estado dos EUA, escreve: “Isto é uma luta sobre o que fazer em relação ao desafio do Irão à liderança norte-americana no Médio Oriente e à ameaça que as ambições geopolíticas iranianas colocam aos aliados dos EUA, em particular a Israel e à Arábia Saudita. Os proponentes do acordo acreditam que a melhor forma de os Estados Unidos lidarem com o desafio regional iraniano é tentarem integrar o Irão na ordem regional, mesmo que ao mesmo tempo permaneçam cautelosos em relação às suas ambições. Um acordo nuclear é um importante primeiro passo a esse respeito, mas os seus detalhes interessam pouco porque o objectivo final é mudar as intenções iranianas e não destruir a capacidade iraniana.”

A controvérsia em relação às relações com o Irão dentro da administração norte-americana e entre Obama e o Congresso é apenas a ponta do iceberg e levanta questões mais vastas como o papel que os EUA irão desempenhar no Médio Oriente e no Norte de África e a importância da região para a hegemonia global dos EUA. Shapiro escreve: “Para o Presidente Obama, o acordo com o Irão não é apenas a peça central dos esforços dele de não-proliferação nuclear, mas também do esforço dele para retirar os Estados Unidos do seu envolvimento nas dilapidadoras lutas intestinas na região. Ele tenta restabelecer os Estados Unidos como equilibrador na região, em vez de participante directo nas suas infinitas guerras civis. Um equilibrador não tem amigos nem inimigos.”

[Na realidade, os EUA têm desempenhado o maior papel no alimentar das lutas “intestinas” no Iraque, onde instalaram e continuam a apoiar um governo sectário; na Síria, onde apoiaram a oposição a Assad de uma forma que ajudou a transformar uma insurreição numa guerra civil religiosa; na guerra civil que desencadearam na Líbia; no apoio aos massacres sectários sauditas no Iémen, etc. Foi este o “equilíbrio” que os EUA levaram à região.]

Obama, na sua entrevista, salienta a importância principal, do ponto de vista dos interesses norte-americanos, de manter Israel com poder, mas também diz: “Tem de haver a capacidade de eu discordar com a política dos colonatos, por exemplo, sem ser visto como [...] estando a opor-me a Israel. Tem de haver uma forma de o primeiro-ministro Netanyahu discordar comigo em política sem ser visto como antidemocrata.” Mas os pontos de vista dele em relação à Arábia Saudita são diferentes. Ele reafirma o compromisso dos EUA para com a Arábia Saudita, mas também salienta que a Arábia Saudita enfrenta “ameaças” que são mais “internas” que “externas”: “Populações que, nalguns casos, estão alienadas, jovens que estão sub-empregados, uma ideologia que é destrutiva e niilista e, nalguns casos, simplesmente uma convicção de que não há nenhuma saída política legítima para as queixas. E assim, parte do nosso trabalho é trabalhar com esses estados e dizer: ‘Como é que podemos reforçar as capacidades de defesa deles contra ameaças externas, mas também, como é que podemos fortalecer o corpo político nesses países, para que os jovens sunitas sintam que têm algo diferente [do que o Estado Islâmico, ou ISIS] para escolher?”

Aqui é claro que o problema que os EUA enfrentam é que alguns estados que são quase completamente dependentes do apoio militar e político dos EUA são inerentemente instáveis. Obama está a dizer que os EUA querem fazer com que os governantes desses estados lidem com esta situação perigosa de uma forma tal que possam ficar mais fidedignos do ponto de vista das necessidades do imperialismo norte-americano. Ele avisa os governantes árabes seus aliados que eles construíram os seus palácios em terrenos frágeis: “Eles têm feito algumas mudanças que dão mais respostas aos seus povos. [...] [Mas] as maiores ameaças que eles enfrentam podem não vir de uma invasão iraniana. Vão vir do descontentamento dentro dos seus próprios países.”

Como é que a “Doutrina Obama” deve supostamente responder a esta situação à escala regional? Obama diz que em troca da ajuda militar norte-americana, os países árabes “também precisam de aumentar a sua vontade de envolver as suas tropas no terreno para resolver problemas regionais”. Embora nunca explicitamente declarada, a resposta implícita de Obama é “fazer com que os povos do Médio Oriente combatam os conflitos do Médio Oriente”, tal como num era anterior os EUA tentaram “vietnamizar” a sua guerra aí e afastar-se de se envolverem totalmente numa guerra no terreno fazendo com que “asiáticos combatam asiáticos”.

Parte disto requer atrair o Irão de uma forma mais profunda para o sistema económico imperialista global e encorajar um maior envolvimento político e militar iraniano nas guerras regionais. Mas isto não está em contradição com armar a Arábia Saudita e apoiar a aliança que os sauditas estão a tentar reunir para intervirem no Iémen e oporem-se ao Irão e às suas alianças. Obama diz explicitamente que, face às actividades destabilizadoras regionais do Irão, irá ajudar outros países a oporem-se militarmente aos interesses iranianos, ao mesmo tempo que usa a diplomacia para os mesmos fins. Ele argumenta que a combinação destas duas políticas, diplomacia por um lado e apoio militar a países árabes contra o Irão por outro, pode mudar o comportamento do Irão para benefício dos norte-americanos, através de fazer com que o Irão seja mais submisso aos EUA.

Mas nenhum destes cálculos irá necessariamente resultar da forma que os EUA esperam. Há mesmo o perigo real de que esta política venha a alimentar ainda mais os fogos das guerras reaccionárias no Médio Oriente.

Obama calcula que os EUA possam desenhar uma “guerra de baixa intensidade” na região entre actores de estados e não-estados, enquanto os EUA actuam à distância – e dos céus. Por outro lado, os oponentes dele pensam que esta estratégia poderá levar a afastar os antigos aliados sem os poder substituir por aliados mais estáveis. A resposta de Obama a eles é que as anteriores medidas norte-americanas no Médio Oriente não só falharam como tornaram pior a situação para os EUA. Um quarto de século após o fim da “Guerra Fria”, os EUA não conseguiram tornar o Médio Oriente numa região estável sob a sua hegemonia. Pelo contrário, o poder e influência globais dos EUA têm sido desafiados e continuamente debilitados na região.

Qual é a realidade? Durante as últimas décadas cada movimentação imperialista não tem feito mais que expandir as guerras entre estados reaccionários e forças islâmicas reaccionárias, forçando a um maior deslocamento e êxodo de populações e a um grau de sofrimento sem precedentes nesta região e não muitas vezes igualado na história humana.

A “Doutrina Obama” é um empreendimento muito arriscado, mesmo da perspectiva dos interesses da classe dominante imperialista dos EUA. O que é considerado uma coisa boa para uma potência reaccionária irá ser uma coisa má para outras. Por isso, haverá poderosas forças na região que tentarão derrotar essa política. A situação dos EUA e dos seus aliados no Médio Oriente faz parte de um quadro global: o poder económico e político dos EUA tem vindo a declinar, novas potências ascendentes como a China e potências imperialistas revigoradas como a Rússia estão a expandir a sua influência em todas as regiões que antes estavam sob a hegemonia norte-americana, nomeadamente no Médio Oriente, e os aliados europeus dos EUA estão a exigir uma maior parcela do mundo.

As necessidades e os desafios que a República Islâmica do Irão enfrenta

O “acordo nuclear” é o primeiro passo da República Islâmica do Irão para normalizar relações com os EUA. O Presidente Hassan Rouhani salientou que o acordo preliminar é o início de uma “interacção com o mundo” e o programa do governo dele é estabelecer relações mais fortes tanto com potências com as quais o Irão não tinha relações como mesmo com aquelas que até agora eram rotuladas de inimigas. Diz Rouhani: “Algumas pessoas pensam que nós ou temos de combater contra o mundo ou temos de nos render às potências mundiais. Nós dizemos que é nenhuma dessas alternativas, há uma terceira via. Nós podemos cooperar com o mundo.” (Entrevista a Cohen)

Estas declarações representam uma nova abordagem aos assuntos globais e regionais com base num consenso relativo dentro da classe dominante do Irão. A escolha de Rouhani como presidente foi ela mesmo o resultado de uma interacção política a três entre uma parte da “ala pragmática”, a facção Hezb-e Kaargozaaraan-e Saazandegi (“Executores da Construção”) que Rafsanjani representa; uma facção da “ala conservadora”, os Osul-Garâyân (Principalistas Iranianos), representada pelo Guia Supremo Ali Khamenei; e os países ocidentais. Em causa nos conflitos deles tem estado a forma de defender a República Islâmica contra dois desafios. O primeiro é a forma de lidar com a maioria das massas de operários e camponeses, de mulheres e nacionalidades oprimidas minoritárias que o sistema deles oprime. O segundo desafio é que os EUA têm apoiado outros estados na região que competem com o Irão.

Para lidar com o primeiro desafio, a principal política é a repressão social e de segurança, expressa sobretudo no esmagamento dos direitos das mulheres e na promoção da religião e da superstição, e a decepção política através de eleições e manobras políticas. Neste jogo político, às vezes têm usado grupos reformistas e às vezes têm empurrado esses grupos para as margens. Para enfrentarem o segundo desafio, a estratégia central da “ala pragmática” é tentar recuperar a associação do Irão ao clube regional dos EUA. A estratégia central do “grupo conservador” é continuar a política de usar as fendas entre os EUA, a Rússia e a China.

Karim Sadjadpour, analista de política no Carnegie Endowment, disse: “Rouhani aspira a ser o Deng Xiaoping do Irão. O mantra de Rouhani é: Preservar o sistema, fazer avançar a economia, abrir ao mundo. Rouhani não aspira a ser o Gorbachev do Irão. O objectivo dele é a adaptação, não a transformação. Ele faz parte do sistema, daí a margem de manobra dele. Ao contrário da linha dura do Irão, ele acredita que a preservação da teocracia do Irão é compatível – e talvez dependente – com relações normalizadas com o resto do mundo, incluindo os Estados Unidos”. (Citado por Cohen)

As sanções foram uma importante alavanca para forçar a República Islâmica a adoptar esta abordagem, combinada com ameaças militares, a ciber-sabotagem de instalações nucleares, uma vasta campanha de espionagem contra a República Islâmica (revelada por Edward Snowden) e o assassinato de cientistas iranianos que trabalhavam no programa nuclear. Contudo, em última análise, esta nova abordagem é uma resposta às necessidades de poder do regime iraniano, entre as quais o fortalecimento das suas fundações, os mesmos objectivos que a República Islâmica tem perseguido com a sua tentativa de conseguir a capacidade de construir armas nucleares.

Mas as políticas da República Islâmica na arena internacional têm piorado os seus problemas estruturais internos. A expansão da pobreza e do desespero no Médio Oriente têm permitido que forças reaccionárias como o ISIS atraiam milhões de pessoas, incluindo nas zonas mais pobres e nas regiões oprimidas do Irão. Isto aterroriza a classe dominante do Irão. De facto, o ISIS tem-se tornado numa séria ameaça aos governantes tanto do Irão como dos EUA, e uma das principais razões por que eles vêem a necessidade de colaborarem uns com os outros. Rouhani disse numa conferência de imprensa em Teerão a 4 de Junho do ano passado: “Todos os países precisam de se envolver em esforços conjuntos quanto ao terrorismo. [...] Em qualquer momento que os americanos comecem a entrar em acção contra os grupos terroristas, nós podemos ter isso em conta”. “Nós podemos trabalhar com os americanos para acabar com a insurreição no Médio Oriente”. O Wall Street Journal (6 de Novembro de 2014) revelou que Obama tinha escrito uma carta secreta a Khamenei em que ele “descreveu um interesse partilhado em combater os militantes do Estado Islâmico no Iraque e na Síria”. Isto, claro, ignora o facto de o rápido crescimento e expansão do ISIS ser um resultado directo das acções dos EUA no Médio Oriente.

O conjunto da situação tem empurrado o Irão a religar-se à “comunidade internacional”, como a ordem imperialista mundial é polidamente conhecida, para encontrar um abrigo seguro, e também a procurar o “privilégio” do investimento estrangeiro no Irão para resolver a situação económica do regime. A ala conservadora concorda com o acordo nuclear na medida em que facilita a continuação do regime e que as potências imperialistas reconheçam o regime como autoridade legítima na região. Ambos os lados, a ala conservadora e a ala pragmática, chegaram a um consenso geral de que o acordo nuclear é um importante passo nesse caminho. Obama tem declarado explicitamente que a “mudança de regime” não está agora no programa dos EUA.

Gestos demagógicos e propaganda enganadora

A nova relação da República Islâmica com os EUA não serve mais os interesses das massas populares que o conflito há muito existente entre eles. Qualquer ilusão em relação a este assunto apenas irá ajudar a classe dominante iraniana a confundir as massas, afastando-a de ser um alvo das exigências do povo e fortalecendo as fundações do regime.

É evidente que instituições económicas capitalistas-imperialistas como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial definem a economia do Irão e determinam o seu funcionamento e posição na economia mundial. Mas os imperialistas também exercem uma forte influência sobre o regime na esfera política. A dependência dos governos dos países dominados em relação a uma ou outra grande potência constitui parte da estrutura do sistema imperialista mundial. Por exemplo, na conferência de Genebra onde os imperialistas discutiram como lidar com o Irão, algumas grandes potências agiram como guardiães da República Islâmica, nomeadamente a Rússia e a China, enquanto outras trabalharam no sentido oposto. Estas grandes potências competem entre si pelo controlo e conquista de territórios. Os interesses económicos e políticos contraditórios das grandes potências deram à República Islâmica a oportunidade de se apresentar como mais independente do que realmente é.

Os horrendos planos por trás do acordo nuclear EUA-Irão não irão trazer paz mas sim ilimitadas guerras regionais. Não irão levar a nada mais que um maior deslocamento de populações, pobreza, opressão social e escravização das mulheres. O ataque liderado pelos sauditas no Iémen começou no dia seguinte ao acordo nuclear, e há pior a chegar. Ao mesmo tempo, o facto de muitos iranianos comuns terem celebrado a assinatura do acordo mostra simultaneamente a desconfiança em relação à República Islâmica que continua a pô-lo em risco e o poder de perigosas ilusões entre as massas populares.

Só há um caminho para nos opormos a todas as movimentações e planos reaccionários no Irão e na região: iniciar um movimento revolucionário para derrubar a República Islâmica do Irão sob a liderança de um partido comunista. Apenas a criação e expansão de uma alternativa revolucionária entre os vários estratos populares em todo o país pode começar a mudar esta perigosa situação.