A WikiLeaks e o Afeganistão: Uma correcção e uma actualização

Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 9 de Agosto de 2010, aworldtowinns.co.uk

No artigo “A WikiLeaks e o que ela revela”, no SNUMAG de 2 de Agosto de 2010, referimo-nos a “30 a 70” mortes de civis no bombardeamento pela NATO de uma multidão de pessoas que tentavam encher os seus recipientes em dois camiões-cisterna atolados no leito de um rio na província norte de Kunduz, em Setembro de 2009.

O objectivo era denunciar as mentiras em serviço próprio contidas no relatório militar interno norte-americano sobre esse incidente divulgado pela organização WikiLeaks. Imediatamente após essas mortes, a NATO negou que tivesse morrido qualquer civil e isso é o que está escrito no documento.

Os números de vítimas que demos baseavam-se em relatos feitos por jornalistas ocidentais que investigaram no local. Fontes afegãs dessa altura avançaram números muito mais elevados. Agora, quase um ano depois, a Alemanha anunciou que pagará compensação às famílias de 91 pessoas mortas e a 11 pessoas feridas pelo ataque aéreo ordenado por um comandante alemão que agia como parte da NATO. Este número de vítimas foi calculado por um “mediador local independente” que identificou essas vítimas e concluiu que no total tinham sido mortas cerca de 140 pessoas. (BBC, The New York Times, 7 de Agosto de 2010).

Entretanto, as autoridades locais afegãs disseram que um ataque aéreo da NATO a uma casa na província de Nangarhar tinha matado 32 pessoas a 5 de Agosto. Os agentes da ocupação começaram por negar haver qualquer vítima civil, mas depois foram forçados a admitir algumas dessas mortes.

Continuam a surgir relatos recentes sobre eventos no distrito de Sangin, província de Helmand, a 26 de Julho, quando Marines dos EUA dispararam um míssil contra uma casa a partir da qual disseram ter recebido disparos. Contudo, e uma vez mais, responsáveis da NATO e dos EUA negaram inicialmente que tivesse morrido qualquer civil. Agora, um “agente secreto sénior das forças internacionais” não identificado tentou justificar as mortes explicando que os “combatentes talibãs” tinham estado a disparar do telhado do edifício. Ele reconheceu que os soldados norte-americanos sabiam que as pessoas se tinham refugiado aí dentro e que tinham sido encurraladas pelos combates. Ele salientou que “os Marines foram incríveis quanto ao tempo que esperaram para responder ao fogo”, esperando mais de quatro horas antes de decidirem disparar o rocket Javelin (de disparo aos ombros) que, segundo os relatos locais, matou 52 pessoas simples (NYT, 7 de Agosto).

A explicação norte-americana é equivalente a uma admissão de culpa em relação a duas acusações, em primeiro lugar porque o oficial disse que os soldados de ocupação decidiram conscientemente que as famílias civis eram dispensáveis e em segundo lugar porque, tal como os seus soldados, ele nem sequer concebe que haja alguma coisa de errado nisso. Se o Afeganistão deve ser ocupado a todo o custo – ou pelo menos a qualquer preço para os afegãos –, então não será essa lógica a de uma guerra pelo império?