Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 2 de Maio de 2005, aworldtowinns.co.uk

Árabes do Irão em revolta contra o regime

O texto que se segue é uma versão ligeiramente editada do comunicado de 21 de Abril do Partido Comunista do Irão (Marxista-Leninista-Maoista) sobre uma insurreição no Khuzestão, uma província do sudoeste do Irão, próxima da fronteira com o Iraque, e onde se concentra a minoria árabe do Irão (contrariamente à nacionalidade dominante, os persas). No início de Maio, o regime iraniano impôs um reino de terror na região, incluindo buscas casa-a-casa. As comunicações foram cortadas. A Internet esteve aberta durante um dia e depois foi novamente fechada. A cidade de Ahvaz está agora sob controlo do regime, mas muitos residentes prevêem que os protestos recomecem.

O povo árabe de Ahvaz e de várias outras cidades do Khuzestão levantou-se a 15 de Abril em protesto contra as políticas antiárabes do regime islâmico do Irão. Esses protestos ainda estão a decorrer, sob diversas formas, como incendiar bancos e edifícios governamentais. A seguir à revolta, as forças repressivas da República Islâmica do Irão entraram em cena e dispararam sobre as massas. Até agora já houve 40 mortos e 300 feridos. Mais de 1000 pessoas foram presas. Ahvaz é agora uma cidade ocupada. As forças de segurança e os Pasdaran (os ditos guardas revolucionários) foram reforçados em muitas cidades e vilas do Khuzestão e foi adoptada uma presença mais visível para hostilizar os árabes e mesmo os não-árabes.

Esses protestos foram desencadeados por uma carta escrita por um alto responsável do regime que descrevia uma política proposta para reduzir a proporção de árabes nas cidades do Khuzestão. Essa carta altamente secreta foi divulgada e amplamente distribuída nas zonas habitadas pelos árabes e a comunicação social dos países árabes do Golfo deram-lhe muita divulgação. Em resposta, as massas enfurecidas vieram para as ruas gritar palavras de ordem contra o regime. Entre outras coisas, denunciaram o que chamaram de “ocupação do Arabistão” (o Khuzestão) e pediram a independência.

Não interessa se essa carta é verdadeira ou falsa, dado que esta rebelião teria começado na mesma mais cedo ou mais tarde. Esta revolta é uma justa resposta aos 26 anos de opressão impostos pelo regime religioso fascista do Irão. Desde o primeiro momento em que tomou o poder, a República Islâmica esgrimiu as suas espadas, o seu exército e os seus Pasdaran contra os povos minoritários e as nações oprimidas do Irão. Esse regime consolidou-se reprimindo os árabes do Khuzestão, da região turcomana de Sahra no norte do país e do Curdistão. Reprimiu regularmente os outros povos e usou a força das armas para retirar todas as vitórias que os operários, os camponeses, as mulheres, os povos minoritários e os intelectuais tinham obtido como resultado da sua luta contra o regime do Xá e os seus amos norte-americanos.

Este regime privou as nações oprimidas até das suas culturas. O regime islâmico espalha por todo o país crendices supersticiosas e lixo religioso em árabe e o idioma principal da sua mais importante escola religiosa em Qom é o árabe, mas não permite que as crianças árabes estudem no seu próprio idioma!

O povo árabe do Irão vive na miséria enquanto as grandes riquezas a apenas alguns passos de si são pilhadas pelo capitalismo mundial. Esta grande divisão constitui uma ferida aberta e a República Islâmica tem deitado sal nela há 26 anos. Tal como o regime do Xá antes dela e as monarquias árabes como a Arábia Saudita e os regimes dos Emirados do Golfo, a República Islâmica tem funcionado como fornecedora de petróleo ao capitalismo mundial. Foi desse modo que engordaram as numerosas famílias de mulás e dirigentes dos Pasdaran, da Basij (milícia) e da Jihad Sazandegi (a organização do regime encarregada da chamada reconstrução do país depois da Guerra Irão-Iraque) e que o país se manteve atrasado e em privação. Foram parceiros como esses que tornaram possível que as potências mundiais saqueassem o fruto do labor dos povos da região. As potências mundiais usam os exércitos e as forças de segurança desses regimes reaccionários na repressão dos povos da região.

Não há dúvida que várias forças reaccionárias estão a tentar explorar a causa das massas populares árabes do Irão para atingirem os seus próprios objectivos sujos. Os principais grupos desses reaccionários são:

Primeiro, as facções dentro do governo que procuram esmagar os seus rivais nos seus jogos de poder e proteger-se. Depois do início dos protestos em Ahvaz, eles têm-se atacado e exposto uns aos outros. Os recentes acontecimentos forneceram bastante material para expor a sua odiosa natureza.

Segundo, os chefes das tribos árabes que até agora têm trabalhado com a República Islâmica para controlar e reprimir as massas trabalhadoras e os intelectuais árabes. Eles impõem directamente as relações tribais antiquadas, uma religião supersticiosa e a opressão das mulheres entre as massas árabes. Eles estão unidos a um sector dos altos responsáveis dos Pasdaran. Alguns estão a negociar com altos responsáveis dos exércitos norte-americano e britânico na região, à espera de obterem uma posição mais elevada como recompensa.

O terceiro grupo é o dos mercenários directos das monarquias do petróleo do Golfo.

Cada uma dessas forças, de uma forma ou de outra, quer impedir que as massas tomem o caminho da revolução contra todos os reaccionários e imperialistas. Eles estão a tentar usar as massas para os seus próprios objectivos. Assim, os revolucionários entre o povo árabe devem marcar uma clara linha de demarcação entre amigos e inimigos e devem avisar as massas para que não sejam enganadas pelas promessas ocas dos dirigentes dos estados árabes reaccionários ou dos EUA, cujas mãos estão cobertas com o sangue dos povos árabes e não-árabes do Médio Oriente. É irónico que o Governo Bush se tenha tornado de repente no defensor dos direitos árabes no Irão, dado que prender habitantes árabes nos EUA e mantê-los secretamente na prisão é uma prática comum e a comunicação social norte-americana repetidamente iguala árabes a “terrorismo”. Não é segredo nenhum para qualquer pessoa que o imperialismo norte-americano quer desviar a nova vaga de lutas das massas do Irão contra o regime e envenená-las. Khomeini e a sua clique islâmica usaram o mesmo truque há 26 anos.

A questão é esta: conseguirão os comunistas e a classe operária tomar a direcção da luta das massas, dirigi-la na via da liberdade e da tomada do poder político, económico e cultural, ou será a direcção arrebatada pelos reaccionários e as massas usadas para os seus próprios objectivos?

Os comunistas e os trabalhadores árabes e não-árabes do Khuzestão devem lutar implacavelmente pela primeira alternativa. Eles devem confrontar destemidamente todas as tentativas reaccionárias para enganar os trabalhadores e todos os oprimidos. Devem lutar por popularizar a linha e o programa comunistas entre os povos árabes do Irão, incluindo o facto de os comunistas reconhecerem os direitos nacionais dos povos árabes e de todas as nacionalidades oprimidas do Irão. Devem propagar essa linha e esse programa, lutar pelo derrube da República Islâmica e levar a cabo uma Revolução de Nova Democracia e socialista sob a direcção da classe operária plurinacional do Irão. Esse é o único caminho para a defesa dos interesses das massas de trabalhadores, camponeses e mulheres e dessas nações. Uma pretensa solução da questão nacional no quadro montado pelos chefes tribais reaccionários e pelos capitalistas dessas nações apenas serviria os seus próprios interesses e os trabalhadores e as mulheres permaneceriam encarceradas nas mesmas relações económicas e sociais opressivas.

Os imperialistas norte-americanos e britânicos estão ocupados a tentar criar um “Grande Médio Oriente”. O seu plano é exacerbar as diferenças entre os povos e as nações desses países de modo a consolidar o seu domínio e o poder dos seus xeques e xás fantoches. Em todos os lugares a que vão, fortalecem as mais reaccionárias forças locais e encarregam-nas do destino das massas. Assim, torna-se necessário tomar posição contra os seus planos, revelar as suas conspirações e expô-las entre as massas. Como alternativa aos planos do “Grande Médio Oriente”, a linha e o programa comunistas são fazer a revolução socialista no Irão e ajudar outros países do Médio Oriente, ajudá-los a desenvolver o movimento comunista e encorajar a tendência da revolução socialista nos vários países do Médio Oriente, rumo ao objectivo final de um “Grande Médio Oriente Socialista”. Na realidade, com os seus esforços para um “Grande Médio Oriente”, os imperialistas norte-americanos e britânicos estão a ajudar a preparar o terreno para a maior revolução socialista de toda a região. O fomento de revoluções socialistas que transformem a região num Médio Oriente vermelho é a mais progressista e revolucionária perspectiva, uma perspectiva que assegure a libertação e o progresso de todos os povos da região e que se baseie na sua cooperação e colaboração voluntárias.

Mas esse excelente objectivo só pode ser atingido se os comunistas lutarem destemidamente por ele. A linha e o programa comunistas têm que ser destemidamente levados às massas para as armar dessa perspectiva. As massas árabes do Irão devem compreender a verdade de que a solução para todos os problemas dos povos desta região, seja no Irão, no Iraque ou na Arábia Saudita, é o comunismo. A maior riqueza da região são agora as centenas de milhões de pessoas presas nas garras das potências capitalistas mundiais e dos regimes locais reaccionários e despóticos. Devemos explicar às massas dos povos árabes e de outros povos oprimidos que a libertação de todos os trabalhadores e oprimidos requer uma grande unidade internacional sob a direcção do proletariado plurinacional do Irão. Não só devemos esforçar-nos por essa unidade no Irão como também devemos tentar alargar o nosso programa comunista a nível regional e, com base nisso, criar uma maior unidade internacional no Médio Oriente.

Fortalecer a tendência comunista entre as massas é crucial para uma vitoriosa revolução de nova democracia e socialista no Irão. Caso contrário, testemunharemos o mesmo que está a acontecer no Iraque: neste momento, as massas do Iraque estão limitadas a escolher entre, por um lado, o domínio imperialista e um regime fantoche e, por outro lado, a resistência contra a ocupação do seu país sob a direcção de forças reaccionárias, comandantes tribais e líderes religiosos. Na ausência de uma tendência comunista, as massas serão certamente enganadas. Mas o fortalecimento de um pólo comunista entre elas criaria grandes oportunidades para a revolução que faria estremecer o mundo inteiro. Hoje em dia, grandes perigos e também históricas oportunidades revolucionárias estão a confrontar os comunistas árabes e não-árabes do sul e de todo o Irão. É essencial apressarmo-nos para agarrarmos essas oportunidades.