Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 29 de Agosto de 2005, aworldtowinns.co.uk

Índia: Autoridades do Andhra Pradesh ilegalizam partidos maoistas e prendem um poeta

O estado do Andhra Pradesh, no sul da Índia, ilegalizou o recém-constituído Partido Comunista da Índia (Maoista) e mais sete organizações de massas. A polícia prendeu o conhecido poeta Varvara Rao, membro de uma dessas organizações, a associação de escritores revolucionários Virasam.

A 19 de Agosto, dois dias depois da ilegalização, polícias à paisana chegaram à casa do poeta em Hiderabad às 3 da madrugada. A família recusou-se a abrir as portas e a deixá-los entrar até ao amanhecer. Mais tarde, depois da chegada de reforços, a polícia prendeu Rao e levou-o enquanto ele gritava: “Abaixo as prisões ilegais! Viva a Revolução!”

O Partido Comunista da Índia (Marxista-Leninista) (Guerra Popular), que se uniu ao Centro Comunista Maoista (Índia) para formarem o PCI(M), já tinha sido proscrito no estado do Andhra Pradesh entre 1992 e 2004. Essa ilegalização tinha sido revogada no ano passado, quando as autoridades do estado e os maoistas iniciaram negociações. Segundo os relatos da comunicação social, Rao, tal como o dirigente da Virasam, e Ghaddar, um cantor tradicional muito conhecido e há muito ligado às lutas populares, representaram um papel facilitador dessas conversações. O grupo de escritores nunca tinha sido ilegalizado antes.

Num desenvolvimento mais recente, K. Kanakachari, um membro veterano do Comité das Liberdades Civis do Andhra Pradesh, foi encontrado morto a 25 de Agosto. Um machado, tendo nele pintado o nome do esquadrão da morte antimaoista “Cobra Narsa”, foi encontrado próximo do seu corpo. O Cobra Narsa deve o seu nome a um dirigente do Partido do Congresso no governo no Andhra Pradesh que foi alegadamente morto por combatentes sob a direcção do PCI(M) no início de Agosto. O grupo publicou uma lista de proeminentes suspeitos maoistas e seus apoiantes que pretende assassinar.

Num comunicado de 19 de Agosto sobre a prisão de Rao, a Frente Democrática Revolucionária da Índia dizia: “Os governos estatais e central [estão] a recorrer a tácticas de terror desenfreado e descarado para escapar às actuais lutas revolucionárias das largas massas oprimidas e exploradas do país. A ilegalização decretada a 17 de Agosto chega depois do fracasso das tentativas do estado para intimidar o movimento e a liderança revolucionárias através das conversações... Duas décadas e meia de terror aberto não conseguiram quebrar a determinação do movimento e uma vez mais o movimento provará o seu vigor contra os actuais ataques.” O comunicado exigia “a revogação imediata e incondicional das ordens de ilegalização do PCI (Maoista) e de todas as outras organizações revolucionárias de massas” e “a libertação imediata e incondicional de Varvara Rao”. Conclui apelando “às massas para que afirmem o seu direito democrático a protestarem e o direito de consciência de apoiarem a revolução e as organizações revolucionárias populares.”