10 de Junho em Guimarães:

Data fascista comemorada por “democratas”

A deslocação a Guimarães do Presidente da República, Jorge Sampaio, e do seu circo presidencial, incluindo futuros comendadores e diplomatas, foi encarada pelo povo da cidade e da zona do Vale do Ave como uma verdadeira provocação. Pese embora as manobras dos sindicalistas instalados. Pese embora ainda a completa ocupação policial da cidade, fazendo lembrar os tempos do fascismo, tal era o volume de polícias e bufos a circular pela cidade.

Apesar de todo o aparato repressivo, um grupo de cidadãos fez sair um comunicado de repúdio pela visita provocatória, onde se lia:

O país a arder! A agricultura destruída! As fábricas fechadas! As pescas no fundo! A economia num caos! (...)
E os responsáveis por esta situação vêm a Guimarães comemorar o 10 de Junho e fazer uma orgia à custa do nosso dinheiro.
Querem que acreditemos numa unidade patriótica entre quem nos colocou nesta situação e aqueles que sempre pagaram com o seu trabalho e sofrimento? Estão enganados! (...)
Se pensam que temos muito gosto em receber este tipo de gente na nossa cidade e ficamos muito contentes por os ver exibir a sua opulência pelo meio da crise do Vale do Ave também estão enganados.
Opõe-te, se ainda te resta alguma ponta de dignidade! Panos pretos nas janelas, indignação na rua, cartazes, panfletos, não alinhar na festa, faz o que puderes!

Em vários muros da cidade foi ainda possível vislumbrar pinturas com frases dizendo: “Basta de fome e miséria!”, “Trabalhadores à luta!”, “Contra a parasitagem capitalista!”, “Fome para o Vale do Ave, medalhas para os comendadores!”, “Abaixo o Américo Tomás Sampaio!”, “Sócrates batedor do capital!”, “Queremos pão!”, “REVOLTA-TE E LUTA!”. Apesar dos esforços desesperados dos servidores locais para as apagar, à boa maneira fascista, muita gente ainda as viu e algumas ainda escaparam à voragem destruidora da tinta cinzenta.

A viagem presidencial foi marcada por vários outros protestos, como a ruidosa concentração dos estudantes das licenciaturas de ensino, cujo estágio profissional deixou de ser remunerado, mais uma vítima das medidas de “austeridade” do Governo Sócrates.

Muitos outros protestos poderiam ter ocorrido, não fora a posição dos sindicalistas traidores e de toda a “esquerda”, do PCP ao BE, que tudo fizeram para dar um ar de integração democrática à “festa”, e que puseram a nu a sua verdadeira natureza ao tentar apontar pidescamente para quem ousou protestar. Nesta tarefa, salientou-se o inquisidor coordenador local da CGTP, que se vangloriou de ter avisado a Presidência da República e de ter apontado o dedo a “homossexuais, lésbicas e anarquistas, ligados ao BE e ao MRPP” (o BE apressou-se a desmarcar-se dos protestos, incomodado, e o PCTP/MRPP foi visto do lado das comemorações).

Por mais intimidações policiais que façam, não calarão a voz da revolta.

14 de Junho de 2005