Do Serviço Noticioso Um Mundo A Ganhar (SNUMAG) de 2 de Maio de 2005, aworldtowinns.co.uk

A luta dentro do partido maoista do Nepal

Nas últimas semanas, surgiram relatos sobre uma importante luta travada dentro do Partido Comunista do Nepal (Maoista). Dados os grandes passos que o partido tem dado e a possibilidade real de a revolução obter uma vitória a nível nacional nos próximos tempos, é natural que as notícias dessa luta interna tenham causado uma grande preocupação entre as pessoas com consciência revolucionária no Nepal e no mundo.

As notícias da imprensa, confirmadas depois por declarações oficiais do partido, falam de um conflito entre o Presidente Prachanda, o principal dirigente do partido, e o Camarada Babarum Bhattarai, um dirigente do partido de longa data. O conflito há muito latente veio à superfície quando o Comité Central do partido tomou a decisão de centralizar a direcção, colocando todos os cinco membros do comité permanente do partido, incluindo o Presidente Prachanda, à frente do partido, do Exército Popular de Libertação e do novo estado revolucionário emergente. O partido acredita que, além do princípio geral marxista-leninista-maoista de que a liderança dos três principais veículos da revolução deve ser unificada, há também uma necessidade específica de centralização agora que a revolução está a entrar numa fase decisiva. O Comité Central também sentia que era necessário dar um golpe nas especulações do inimigo sobre as divisões e fissuras na liderança cimeira do partido, reafirmando a liderança central do Presidente Prachanda.

O Camarada Bhattarai tem-se oposto vigorosamente à decisão de centralização e menciona uma “guerra fria” há muito existente na direcção do partido sobre se é ou não correcto que uma única pessoa ocupe as principais posições do partido, do exército e do governo.

O debate sobre a “centralização” envolve também toda uma série de importantes questões. No seu centro está saber que conclusões devem ser retiradas da longa experiência histórica do exercício da ditadura do proletariado, incluindo da restauração do capitalismo nos antigos estados socialistas. O Comité Central do partido tinha anteriormente aprovado uma resolução intitulada “O Desenvolvimento da Democracia no Século XXI” que versava sobre alguma dessa experiência. Mas também é claro que existiam diferenças que se aprofundaram dentro da liderança do partido sobre como entender essas questões cruciais. O Presidente Prachanda emitiu um comunicado em que diz que o debate no partido está relacionado sobretudo com essas questões do exercício da ditadura do proletariado e da democracia e que é natural que o partido esteja a dedicar uma séria atenção à discussão desses pontos. Ele também acentuou que um debate completo deveria ocorrer não apenas dentro do partido mas entre as próprias massas. O Presidente Prachanda defendeu que essa seria a maneira de envolver as massas nos problemas da “democracia do século XXI”.

O comunicado do Presidente Prachanda também salientava que apesar da importante luta que está a decorrer, todo o partido está unido em levar por diante a linha táctica, incluindo a ofensiva estratégica contra o cambaleante mas odioso antigo regime dirigido pelo Rei Gyanendra. Por sua vez, o Camarada Bhattarai emitiu um comunicado à imprensa juntamente com Hsili Yami, outro importante camarada, em que eles declaravam que “elementos oportunistas e o regime fascista real tentam criar a confusão fazendo uma odiosa propaganda de que há muito tempo há um confronto de liderança e inimizade pessoal entre nós e o Camarada Prachanda, Presidente do nosso glorioso partido. Isso apenas expõe a sua própria perspectiva de classe reaccionária, as suas intenções doentias e a sua falta de conhecimento.”

Não surpreende que, quando a revolução bate à porta do poder político a nível nacional, se coloquem questões cruciais sobre que tipo de poder será criado e como será exercido, e como aprender com as experiências negativas e positivas das revoluções proletárias do século XX na URSS e na China. Este processo, que os maoistas designam de “luta entre as duas linhas” dentro do partido, é parte inevitável de todo o processo revolucionário. Na realidade, a história mostrou que essas lutas podem ser um motor que conduz o partido a uma maior clareza política e ideológica e, nessa base, a um nível mais elevado de unidade de acção e de unidade de vontade.

A abordagem que a direcção do partido adoptou, incluindo confiar nas massas para participarem na discussão dessas questões vitais, difere de diversas maneiras de muita da experiência passada do movimento comunista. As genuínas forças maoistas de todo o mundo estarão a observar cuidadosamente e a aprender com essa importante luta que se desenrola dentro do Partido Comunista do Nepal (Maoista), com a confiança de que o partido emergirá mais forte, mais unido e mais capaz de levar a cabo a revolução até à vitória a nível nacional e à construção do futuro comunista.